Irão à espera de Donald Trump para acabar com o regime
Presidente dos EUA congela ação militar contra Teerão. "Vamos ver o que acontece”, diz.
Os repetidos avisos do Presidente norte-americano de uma intervenção militar no Irão, ainda que sem definir os moldes, em socorro dos que pedem a mudança de regime é mais um capítulo da instabilidade que o país tem vivido desde a queda do xá Reza Pahlavi, em 1979, e a instauração da República Islâmica. Com um dado interessante: o inimigo americano, que apoiou Telavive na Guerra dos 12 dias contra o Teerão (de 13 a 24 de junho de 2025), onde morreram mais 600 iranianos e tendo, inclusive, bombardeado instalações nucleares, é hoje visto pelos milhares que protestam nas ruas como o elemento-chave para libertar o Irão do regime dos aiatolas.
Também não deixa de ser interessante o facto de o Presidente Pezeshkian ter afirmado inicialmente que compreendia os protestos e apelado às forças de segurança para não reprimirem os manifestantes. Fraco ‘aliado’, como se viu.
Desta vez, a origem da revolta esteve no aumento do custo de vida, mas rapidamente evoluiu para a contestação ao regime. E o resultado acabou para ser o mesmo de sempre: milhares de mortos, entre os quais crianças, e mais de 20 mil detidos. Com a Internet bloqueada, não é possível saber com exatidão os números da revolta, apenas que a repressão brutal das forças de segurança levou à diminuição dos protestos. Trump, que tinha dito que os EUA estavam a caminho e prometido um Irão grande outra vez (“Make Iran Great Again”), também parece ter recuado na intenção de agir militarmente, alegando que as mortes pararam e as execuções foram suspensas. “Vamos observar e ver o que acontece”, diz agora. Será também este o sentimento dos iranianos neste momento: “Vamos ver o que acontece.”
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