Alvejado sete vezes pela polícia nos EUA já não está algemado nem sob vigilância no hospital

Afro-americano foi baleado pelas costas em ação policial que está a ser investigada. Mandado de detenção foi retirado.

28 de agosto de 2020 às 20:49
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Jacob Blake, o afro-americano que foi atingido a tiro sete vezes pela polícia de Wisconsin, nos EUA esta semana, esteve algemado à cama do hospital onde está internado, apesar de, devido aos ferimentos, estar paralisado da cintura para baixo. A informação foi avançada pela família. Após as queixas dos familiares e a polémica gerada, o advogado do jovem disse esta sexta-feira que as algemas foram retiradas do tornozelo de Blake.

Ainda, explicou o advogado Patrick Cafferty, Jacob Bake já não está sob vigilância policial, uma vez que o mandado de detenção que recaía sobre o jovem foi retirado, não sendo já válido.

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"Porque é me balearam tantas vezes?", perguntou o jovem de 29 anos ao pai, quando acordou. Blake, residente em Kenosha, foi alvejado depois de uma ação policial que estaria a investigar uma denúncia de violência doméstica feita no início do ano. Quando os agentes chegaram, e depois de terem tentado usar um taser para deter o jovem, Blake dirigiu-se ao carro, onde dormiam os seus três filhos menores, com idades entre os três  e oito anos. As crianças viram o pai ser atingido pela polícia, que disparou mal o suspeito abriu a porta do veículo. O filho mais velho de Blake fazia anos nesse preciso dia.

A família disse que a imagem de Jacob algemado à cama era arrasadora. "Porque é que meteram aquele metal frio no tornozelo do meu filho? Ele não se consegue mexer, levantar-se, mesmo que tentasse", lamentou o pai do jovem.

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O porta-voz do Departamento do Xerife do Condado de Kenosha explicou o porquê da decisão: "Jacob Blake tinha mandado de detenção por crimes cometidos antes do incidente que resultou no tiroteio. Qualquer pessoa nesta situação e com guarda no hospital seria tratada da mesma forma". O mandado de detenção que justificava o algemamento do jovem, sabe-se agora, não era válido.

Os contornos da ação policial estão a ser investigados e os polícias envolvidos estão a ser ouvidos. O episódio motivou protestos em todo o país, com os manifestantes ao lado da família nas acusações de violência policial desmedida com motivações raciais. "Ele só queria proteger os filhos do perigo. O meu filho não teve os direitos de um ser humano", termina o pai do jovem atingido a tiro, afirmando que Jacob continua "a lutar pela vida". Dificilmente, segundo os médicos, o jovem voltará a andar.

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