"Jamais deixarei de lutar"

Afastada da presidência, Dilma apela à resistência.

Foto: EPA
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Rodeada pelos seus aliados fiéis e aplaudida por centenas de apoiantes, Dilma Rousseff deixou ontem o Palácio do Planalto após ser formalmente afastada do cargo pelo Senado, mas prometeu que vai continuar a lutar e a resistir.

"Jamais deixarei de lutar. Estou disposta a resistir por todos os meios legais. Lutei a minha vida toda e vou continuar lutando", afirmou Dilma em dois momentos consecutivos, primeiro ainda dentro do palácio, rodeada por Lula, ex-ministros e outros aliados, e, depois, já no lado de fora, dirigindo-se aos muitos apoiantes que ali se deslocaram. "Aos brasileiros que se opõem ao golpe, faço uma chamada para que se mantenham mobilizados. A luta pela democracia não tem hora para terminar, vai ser longa mas nós vamos vencer", disse a presidente, que foi afastada com 55 votos a favor e apenas 22 contra, uma derrota bastante mais expressiva do que a esperada pelos seus apoiantes e que deixa poucas dúvidas sobre o desfecho do julgamento a que será agora submetida no Senado.

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Na hora da despedida, Dilma voltou a classificar o afastamento como uma farsa pois, admitiu, pode ter cometido erros mas não crimes. Disse ainda que estava a sofrer a mais avassaladora injustiça que se pode fazer com um ser humano, que é "condenar um inocente" e lembrou que o governo de Temer não tem a legitimidade do voto popular.

Depois de se deslocar para junto da multidão para abraçar e beijar apoiantes, provocando enorme tumulto, Dilma foi de carro para a residência oficial da presidência, o Palácio da Alvorada. Ela pediu e foi autorizada pelo Senado a permanecer no palácio até ser julgada em definitivo pelo mesmo.Nascida em Belo Horizonte de uma brasileira e um milionário búlgaro refugiado no Brasil, Dilma, ainda adolescente, juntou-se à luta armada contra o regime militar, foi presa e torturada. Já em democracia, foi secretária de Minas e Energia em Porto Alegre, de onde foi chamada por Lula para ministra da mesma pasta em 2003 e ministra da Casa Civil em 2005, na qual ficou até ser eleita presidente.

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Descer do Céu ao Inferno em ano e meio

Primeira mulher a ser eleita presidente do Brasil, Dilma Rousseff iniciou o seu primeiro governo em 2011 idolatrada pelos mais pobres e respeitada pelo empresariado. Ontem, apenas um ano e meio depois de ter sido reeleita para um segundo mandato, foi afastada da presidência por votação esmagadora do Congresso.

Os quase 70% de rejeição popular, a retirada do apoio de quase todos os aliados e a profunda crise social, política e económica que deixou para trás não são apenas fruto da conjuntura internacional e do boicote da oposição. No poder, Dilma exibiu uma enorme inabilidade política e um mau génio que a tornaram extremamente impopular até entre alguns colaboradores diretos. Durante anos desprezou o Congresso, recusando receber deputados e, quando precisava deles, oferecia-lhes verbas para a apoiarem.

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Nascida em Belo Horizonte de uma brasileira e um milionário búlgaro refugiado no Brasil, Dilma, ainda adolescente, juntou-se à luta armada contra o regime militar, foi presa e torturada. Já em democracia, foi secretária de Minas e Energia em Porto Alegre, de onde foi chamada por Lula para ministra da mesma pasta em 2003 e ministra da Casa Civil em 2005, na qual ficou até ser eleita presidente.

Político discreto experiente e conciliador

Michel Temer, de 75 anos, que ontem substituiu Dilma Rousseff como presidente do Brasil, é um político experiente, discreto e moderado, que prefere as negociações de bastidores aos embates políticos. Filho de libaneses, fez carreira como jurista e entrou na política há 35 anos.

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Presidente da Câmara dos Deputados por três vezes, conhece profundamente os meandros do parlamento. No seu primeiro discurso como presidente interino, deu grande destaque à economia, não escondendo que a situação é grave, mas garantiu que há como sair da profunda crise que o país vive, e que não vai perder tempo, lançando já nos próximos dias medidas que equilibrem as contas públicas mas, ao mesmo tempo, façam o Brasil voltar a crescer e melhorem a vida das pessoas.

Líder do maior partido do Brasil, o PMDB, há 15 anos, foi eleito vice-presidente de Dilma em 2010 e reeleito em 2014, mas as relações entre ambos nunca foram as melhores porque nunca foi mais do que um elemento decorativo. Com o aumento do desgaste, anunciou em março ter rompido com o governo depois de Dilma exonerar protegidos políticos dele sem o avisar, e manteve desde aí uma postura ainda mais discreta. Dilma acusa-o, no entanto, de conspirar contra ela.

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