Jovem suspeito de assassinar Charlie Kirk confessou que "desejava não o ter feito"
Tyler Robinson, que arrisca ser condenado a pena de morte, fez a confissão ao namorado, Lance Twiggs.
Tyler Robinson, o jovem acusado de matar a tiro o ativista conservador norte-americano Charlie Kirk durante um evento numa universidade em Utah, EUA, disse ao namorado, no dia seguinte ao homicídio, que "desejava não o ter feito". Foi o próprio namorado, Lance Twiggs, que o transmitiu às autoridades, em declarações reproduzidas em tribunal, esta quinta-feira.
Lance Twiggs disse às autoridades que a conversa, tida entre lágrimas, aconteceu no apartamento onde ambos moravam no sul do estado de Utah, a mais de 320 quilómetros do local onde Robinson baleou Kirk, na Universidade de Utah Valley.
No dia seguinte a ter baleado mortalmente Charlie Kirk, Tyler Robinson também escreveu, num chat na plataforma online Discord, "fui eu ontem na UVU". Cerca de uma hora depois, entregou-se.
Na munição utilizada para matar Charlie Kirk, estava gravado "Ei, fascista! APANHA!" e "Se leres isto, és GAY". Segundo a Associated Press, Robinson pareceu franzir o sobrolho e esboçar um sorriso malicioso quando as frases gravadas nas balas foram proferidas em tribunal, na quinta-feira.
Enquanto as mensagens eram lidas, a mãe de Robinson chorava e acariciava o ombro de um dos irmãos do arguido, que ouvia com a cabeça baixa.
Os advogados de defesa de Tyler Robinson tentaram impedir que as mensagens do discord e as declarações do namorado fossem divulgadas, alegando que os procuradores poderiam tratar o material como uma confissão, prejudicando o direito do arguido a um julgamento justo. No entanto, a família de Kirk lutou pela divulgação e o juiz Tony Graf acabou por autorizar uma exibição censurada da gravação.
A defesa não se tem pronunciado sobre a inocência (ou não) de Robinson, mas tem tentado que a pena de morte não seja uma opção, até agora sem sucesso. O advogado Michael Burt tentou semear dúvidas sobre a acusação, ao contestar os testes feitos a partir de um fragmento de bala recuperado do corpo do ativista. Os resultados para associar o fragmento à arma foram inconclusivos.
Nas mensagens trocadas entre Robinson e Twiggs, o arguido dizia estar preocupado com as impressões digitais que poderia ter deixado na arma que as autoridades acreditam ter sido usada para matar Kirk.
Os procuradores defendem que, além de ter provocado a morte do Charlie Kirk, o disparo colocou em risco outras pessoas que se encontravam no evento no campus da universidade. Este facto pode ser uma agravante que sustenta a pena de morte, permitida ao abrigo da lei de Utah. As alegações que comprovam que Kirk era um alvo de Robinson também pioram o cenário para o jovem arguido.
Quanto a Twiggs, as declarações que prestou a 12 de setembro - dois dias depois do homicídio - e a 20 de abril, não podem ser usadas contra ele num eventual processo criminal, já que lhe foi concedida imunidade.
O juiz Tony Graf está a avaliar se os procuradores têm provas suficientes para levar Robinson a julgamento, mas só se vai pronunciar sobre a decisão a 1 de setembro, depois de ambas as partes terem apresentado os devidos argumentos.
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