Juiz trava inquérito à demora no socorro a Bolsonaro após queda dentro da cela
Alexandre de Moraes demorou mais de 36 horas a autorizar que ex-presidente fosse levado ao hospital após queda na cela
O juiz Alexandre de Moraes, que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de cadeia e monitoriza o cumprimento da pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, proibiu qualquer investigação com vista a apurar falhas e demora no atendimento médico ao ex-presidente brasileiro após ele cair na cela e sofrer um traumatismo craniano. A ordem do juiz surgiu após o Conselho Federal de Medicina (CFM), o equivalente no Brasil à Ordem dos Médicos, ter decidido abrir um inquérito às denúncias de que Bolsonaro ficou várias horas sem socorro após a queda porque não havia nenhum médico na PF. O próprio Moraes, recorde-se, só autorizou que Bolsonaro fosse levado ao hospital para realizar exames mais de 36 horas após a queda.
“A ilegalidade e ausência de competência correcional do CFM em relação à Polícia Federal é flagrante, demonstrando claramente o desvio de finalidade da determinação, além da total ignorância dos factos. Não houve qualquer omissão ou inércia da equipa médica da PF, que atuou correta e competentemente”, escreveu Moraes no despacho, redigido em tom duro.
Além de proibir o inquérito sobre denúncias de que o primeiro atendimento a Bolsonaro ocorreu muitas horas após a queda, Moraes mandou a PF intimar e interrogar o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo.
O médico Brasil Caiado, que tem acompanhado Bolsonaro, disse esta quinta-feira que o ex-presidente, de 70 anos, está física e emocionalmente fragilizado, confuso e com desconforto generalizado, e tem propensão a quedas, pelo que não tem condições de ficar sozinho na cela. Aconselhou, por isso, a sua transferência para um local onde exista uma equipa médica permanente ou para prisão domiciliária, o que Moraes rejeita.
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