Justiça da Itália recusa extraditar e manda soltar aliada de Bolsonaro condenada no Brasil
Carla Zambelli invadiu o sistema informático do Conselho Nacional de Justiça brasileiro e perseguiu de arma na mão um jornalista negro nas ruas de São Paulo.
A justiça da Itália rejeitou em decisão final o pedido de extradição da ex-deputada brasileira de extrema-direita Carla Zambelli, presa numa penitenciária feminina de Roma desde Junho do ano passado após fugir do Brasil por ter sido condenada inicialmente a 10 anos de cadeia pelo juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Após essa primeira condenação, Moraes condenou Carla Zambelli a mais cinco anos em um outro processo, que tramitou em altíssima velocidade e com poucas oportunidades de defesa, características do temido magistrado.
Numa decisão que surpreendeu o governo de Lula da Silva e o próprio juiz Alexandre de Moraes, que tinham a certeza da extradição da deputada extremista para o Brasil, o Tribunal de Cassação de Roma rejeitou extraditar Zambelli e ordenou a sua libertação imediata, o que ocorreu horas depois, esta sexta-feira. A decisão da justiça italiana vale para os dois processos de extradição abertos por Alexandre de Moraes, um por invasão ao sistema informático do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) brasileiro, e o outro por porte ilegal de arma de fogo e perseguição de arma na mão a um jornalista negro nas ruas de São Paulo em 2022, após uma discussão iniciada entre ambos num bar.
Fábio Pagnozzi, advogado que conduziu todo o processo tentando evitar a extradição de Carla Zambelli para o Brasil, afirmou que a justiça da Itália aceitou os argumentos dele, de que as penas impostas por Alexandre de Moraes foram desproporcionais e exageradas, e que as condenações aconteceram baseadas exclusivamente no depoimento de um hacker que a própria justiça brasileira considera ser um mentiroso contumaz e a quem já condenou a pesada pena. Agora, Pagnozzi vai avaliar se Zambelli deve continuar na Itália ou mudar-se para outro país para evitar uma nova prisão, já que o governo de Lula da Silva e Alexandre de Moraes mantêm o nome dela na chamada Difusão Vermelha da Interpol, a lista com os criminosos mais procurados.
Carla Zambelli, protagonista de atos tão radicais que desagradaram até ao radical Jair Bolsonaro, fugiu para a Itália em Maio de 2025, logo após a primeira condenação no STF, por ter dupla cidadania, brasileira e italiana, e se julgar a salvo no país europeu. Presa num subúrbio de Roma em Junho durante uma operação conjunta do governo de Lula com a Polícia Federal brasileira e a Interpol, a parlamentar foi enviada para uma das prisões mais temidas de Roma e o seu pedido de extradição foi aprovado em duas instâncias da justiça italiana, pelo que a recente decisão surpreendeu as autoridades brasileiras, que dias atrás já tinham iniciado os preparativos para a transferência de Zambelli para a Penitenciária Feminina de Brasília, conhecida como “Colmeia”. (FIM).
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