Maduro mobiliza tropas
Presidente acusa direita de planear golpe de Estado.
Depois de promulgar um decreto na sexta-feira para prolongar e reforçar por pelo menos mais 60 dias um polémico estado de emergência que deixa em suspenso todas as garantias constitucionais, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, colocou no sábado as Forças Armadas em alerta. A razão são os supostos planos de golpe de Estado com apoio de uma intervenção estrangeira, dos EUA e outros países.
"Não sabem o que somos capazes de fazer. Esta terra é sagrada e temos de fazer com que seja respeitada", afirmou Maduro para justificar o início de grandes manobras militares no país com mobilização máxima.
Paralelamente, e seguindo a lógica do risco de golpe, Maduro ordenou o início de diligências para processar nos tribunais internacionais o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe. Alegadamente, Uribe coordena esforços para criar uma força multinacional com o intuito de levar a cabo uma ação militar na Venezuela.
A oposição condena as novas medidas e fala de um "autogolpe". Jesús Torrealba, líder da mesa de Unidade Democrática (MUD), explica porquê: "É um autogolpe porque o parlamento foi ignorado. Para este decreto ter validade legal, teria de ser primeiro discutido na Assembleia e isso não aconteceu".
Recorde-se que a Venezuela vive uma crise profunda, com escassez crónica de bens essenciais e uma violência crescente causada pela fome. Maduro ameaça expropriar as fábricas que deixem de produzir e prender os proprietários.
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