Mais de 200 candidatos desistem para ajudar ‘Frente Republicana’ a travar a vitória da extrema-direita francesa
Desistências forçam duelos diretos com candidatos da extrema-direita em quase 400 circunscrições.
Mais de 200 candidatos de esquerda e do centro desistiram da segunda volta das legislativas francesas, no próximo domingo, para facilitar a criação de uma ‘frente republicana’ capaz de travar a vitória da extrema-direita.
De acordo com a contagem feita pelo jornal ‘Le Monde’, 218 candidatos renunciaram a participar na segunda volta para evitar dividir o voto com outros candidatos mais bem colocados para bater os candidatos da União Nacional (RN) de Marine Le Pen e Jordan Bardella. Entre os ‘desistentes’, 130 eram candidatos da Nova Frente Popular, que agrupa vários partidos de esquerda, e 82 pertenciam ao bloco centrista de Emmanuel Macron.
Graças a estas desistências, cerca de 400 lugares serão disputados num confronto a dois entre candidatos da RN e de partidos republicanos, o que permite a concentração do voto tático nestes últimos para impedir uma maioria da extrema-direita. A tática já resultou várias vezes no passado, incluindo quando a ‘frente republicana’ ajudou Jacques Chirac a bater Jean-Marie Le Pen nas presidenciais de 2002.
O cabeça de lista da RN, Jordan Bardella, denunciou esta terça-feira a estratégia como uma “aliança da desonra”, mas fonte do partido de extrema-direita garantiu que a ‘frente republicana’ é uma “boa notícia”. “A mensagem que passa é que estão todos contra nós. É mais uma grande artimanha e os nossos eleitores estão fartos disso”, afirmou.
Apesar disso, Marine Le Pen reduziu esta terça-feira as expectativas para a segunda volta, ao admitir pela primeira vez que a União Nacional poderá governar mesmo se não tiver maioria absoluta, ao contrário do que sempre tinha garantido até agora. Segundo Le Pen, se a extrema-direita garantir cerca de 270 deputados - a maioria absoluta são 289 - o partido poderá tentar convencer alguns deputados independentes de vários quadrantes políticos a apoiarem a sua plataforma de Governo.
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