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Quem é a mulher morta a tiro em Minneapolis pelo Serviço de Imigração dos EUA

Autoridades norte-americanas referem que vítima "passou o dia a perseguir e impedir o trabalho" dos agentes, "bloqueando-os" com a viatura, versão contrariada pelos familiares.

08 de janeiro de 2026 às 17:47
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Novas imagens mostram mulher morta pelo ICE a ser transportada pelos bombeiros após tiroteio

AP

Poetisa premiada e também guitarrista amadora, a mulher morta a tiro por um agente do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) em Minneapolis, na quarta-feira, foi identificada como Renee Nicole Good. Com 37 anos e natural do Colorado Springs, a mulher tinha-se mudado recentemente para a cidade e, de acordo com a informação adiantada pela senadora Tina Smith, era cidadã americana. A morte ocorreu no contexto de uma operação em grande escala de fiscalização.

Mulher sorri com vestido vermelho em frente ao mar
Renee Nicole Good, mulher morta a tiro numa operação do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) FOTO: Rede social X

A mãe da vítima, Donna Ganger, apontou que a filha estaria "provavelmente apavorada" durante o confronto com os agentes. "Era uma das pessoas mais gentis que conheci, era amorosa, compreensiva", referiu em declarações ao Minnesota Star Tribune

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O momento em que mulher desarmada é baleada por agente do ICE nos EUA

VÍDEO: AP

Foi estudante de escrita criativa na Universidade Old Dominion em Norfolk, Virgínia, e foi premiada pela Academia Americana de Artes e Letras depois de ter escrito a obra "Sobre Aprender a Dissecar Fetos de Porcos", refere a BBC. Nicole trabalhou depois como assistente de clínica dentária, tendo-se dedicado a ser "dona de casa" a tempo inteiro nos últimos anos, revelam os familiares. 

O antigo marido de Renee, com quem teve dois filhos, afirmou que Good "não era uma ativista", mas sim "uma cristã devota e que participou em missões para jovens da Irlanda do Norte" no tempo de juventude, cita o jornal diário.

"Quando não estava a ler ou a falar sobre escrita, fazia maratonas de filmes e criava arte com os filhos", aponta a biografia na obra premiada, citada pela media americana. O presidente da Academia da qual Good fazia parte reagiu à "morte repentina" da antiga integrante, referindo que o caso "é mais um exemplo claro de que o medo e a violência se tornaram comuns na nação".

"Que a vida de Renee seja uma lembrança do que nos une: liberdade, amor e paz", escreveu por sua vez Brian Hemphill, presidente da Universidade Old Dominion. 

Segundo relatos das autoridades, Good foi atingida a tiro num momento em que manifestantes tentavam bloquear as operações dos agentes norte-americanos. O presidente dos EUA acusou Renee de resistir e dificultar o trabalho dos agentes e a "esquerda radical" de promover o sucedido. "A condutora comportou-se de forma caótica, resistindo à autoridade antes de atropelar brutalmente um agente do ICE", afirmou Donald Trump na sua conta oficial do Truth Social.

O Chefe de Estado norte-amerciano acrescentou que "estes incidentes acontecem porque a esquerda radical ameaça e ataca diariamente os nossos agentes da lei e os oficiais do ICE".

Líderes estaduais norte-americanos referiram que a vítima estava no local da operação do ICE como "observadora legal", ou seja, como voluntária que monitoriza as autoridades em operações desta natureza. O objetivo passa por ajudar a manter a calma e a impedir "condutas inadequadas" por parte dos agentes. Contudo, a mãe de Renee afirmou que a filha "não participou em nada" que envolvesse desafiar as autoridades. 

A secretária de Segurança Interna norte-americana, Kristi Noem, denunciou que a vítima "passou o dia a perseguir e impedir o trabalho" dos agentes, "bloqueando-os" com a viatura, à medida que "gritava contra eles". 

Dados do portal The Trace, uma plataforma jornalística norte-americana sem fins lucrativos e que reporta dados sobre violência armada no país, dá conta que cinco mortes registadas no contexto de operações para controlo migratório sob a administração de Trump. O governador do Estado do Minnesota considerou o sucedido como "totalmente evitável". 

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