Marido que recrutou homens para violar a mulher acusava-a de traição por doença sexual "inexplicável"

Gisele foi confrontada com os vídeos dos atos para se certificarem que estava inconsciente.

04 de setembro de 2024 às 12:51
Gisele Pelicot Foto: Christophe Simon/AFP via Getty Images
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Dominique P., o homem que está a ser julgado por ter recrutado mais de 60 homens para violarem a esposa em França, encobriu os crimes acusando a mulher de manter casos com outros homens enquanto este andava de bicicleta e jogava petanca.

Tudo começou quando Gisele Pelicot disse ao marido que precisava de fazer um tratamento para uma doença sexual cuja origem era "inexplicável". Dominique sugeriu que a mulher o estaria a traír sabendo que os problemas ginecológicos deveriam estar relacionados com as frequentes violações.

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Recorde-se que a mulher era drogada pelo marido ao jantar e não tem memória dos abusos.

Segundo o Daily Mail, assim que o juiz começou a delinear a acusação o homem tentou retratar a mulher como obcecada por sexo e referiu-se ao casamento como "perfeito".

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A polícia encontrou nos arquivos do computador de Dominique pastas com o nome 'Os violadores dela', 'Abuso' e "A minha pu**'. Também anotava os nomes dos agressores e os pormenores dos atos que praticavam, o que permitiu à polícia localizar 50 homens. No entanto, os restantes 22 não foram identificados.

Para se certificarem que Gisele estava inconsciente e não tinha consentido as relações sexuais, como afirmaram muitos dos agressores detidos, os investigadores foram obrigados a confrontá-la com os vídeos dos atos.

Questionada numa audiência prévia ao julgamento sobre a reação que teve ao saber que tinha sido humilhada pelo homem com quem tinha três filhos, disse: "Ele mete-me nojo. Sinto-me suja, contaminada, traída. Foi um tsunami. Fui atingida por um comboio de alta velocidade". O choque levou-a a ter um esgotamento e diz-se que tentou suicidar-se várias vezes.

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Determinada a envergonhar os seus agressores e a pôr em evidência o crime de violação induzido por drogas, renunciou ao seu direito a um julgamento privado e ao anonimato.

Esta terça-feira, Dominique disse em tribunal que chegou a drogar e a tirar fotografias comprometedoras da filha. A polícia encontrou nos arquivos do computador uma pasta com o nome 'a minha filha nua' e no momento em que o juiz o anunciou, Carolina D., começou a tremer de forma incontrolada e teve mesmo de ser ajudada a sair do tribunal em Avignon, França. 

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