Milhares de refugiados regressam à Síria após queda de Bashar al-Assad

Rebeldes pedem a sírios para regressarem com a promessa de que terão condições para um “ambiente seguro e estável”.

10 de dezembro de 2024 às 01:30
Milhares regressam à Síria com a esperança que esta seja uma oportunidade para o país construir um futuro assente nos direitos humanos e na liberdade Foto: Metin Yoksu
Milhares regressam à Síria com a esperança que esta seja uma oportunidade para o país construir um futuro assente nos direitos humanos e na liberdade Foto: Khalil Hanra
Milhares regressam à Síria com a esperança que esta seja uma oportunidade para o país construir um futuro assente nos direitos humanos e na liberdade Foto: Mohamed Azakir/reuters

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Com a queda do regime de Bashar al-Assad, milhares de refugiados sírios provenientes do Líbano começaram logo no domingo a atravessar a fronteira e a regressar à Síria. Há muito que aguardavam pelo dia em que poderiam voltar ao seu país, depois de fugirem com medo da repressão por parte do Governo e do Exército. Muitos fizeram agora a viagem de regresso a exibir a bandeira da oposição síria, enquanto gritavam “Alá é grande”.

O grupo islâmico que derrubou o Presidente al-Assad apelou a todos os que foram forçados a deixar as suas casas - e serão cerca de 14 milhões - para regressarem e “contribuírem para a construção do futuro”. “Vamos criar as condições necessárias para garantir um ambiente seguro e estável para os receber”, garantiu o Comando das Operações Militares da Hayat Tahrir al-Sham - ou Organização de Libertação do Levante. Só no Líbano vivem cerca de 1,5 milhões de refugiados sírios, dos quais 800 mil estão registados na Agência das Nações Unidas para os Refugiados. A grande maioria começou a chegar ao Líbano, em 2011, quando se iniciou o conflito.

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A ONU, que sempre defendeu a responsabilização dos autores das violações de direitos humanos durante “décadas de repressão brutal” na Síria, adverte, contudo, contra atos de vingança. “Durante este período, perderam-se centenas de milhares de vidas, mais de 100 mil pessoas desapareceram e cerca de 14 milhões foram expulsas das suas casas, muitas vezes nas circunstâncias mais atrozes. Encontrei-me com muitos deles ao longo dos anos, testemunhei o seu desespero e trauma ao testemunharem as mais graves violações dos direitos humanos cometidas contra eles, incluindo a tortura e o uso de armas químicas”, apontou Volker Türk, alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos.

A queda de al-Assad é uma derrota para o Irão e a Rússia, os seus principais aliados. O chefe da diplomacia de Teerão reconheceu que a Síria era um dos membros mais importantes do Eixo da Resistência e admitiu que a aliança anti-Israel liderada pelo Irão, mas que inclui o Hamas, o Hezbollah e uma série de milícias no Iraque, será afetada pela queda do Presidente sírio. “É natural”, sublinhou Abbas Araghchi. Garantiu, contudo, que a “resistência não irá parar. Pode haver algumas limitações, por vezes, mas a resistência encontrará o seu caminho a seguir”, advertiu.

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PORMENORES

BANDEIRA
Um grupo de homens hasteou ontem a bandeira da oposição na embaixada síria em Moscovo, na Rússia, onde Bashar al-Assad se refugiou.

SANÇÕES 
A UE diz que irá avaliar a retirada de sanções à Síria, mediante as ações do grupo que derrubou o regime sírio.

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PRESOS NA RUA
Milhares de prisioneiros foram libertados. Os rebeldes sírios arrombaram as celas e denun- ciaram abusos do regime ao longo dos últimos 14 anos.

LUXO
Bashar al-Assad tinha mais de 40 carros de luxo na garagem do palácio, como Ferrari, Lamborghini e Rolls-Royce.

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