Ministro espanhol diz que todas as inspeções foram respeitadas mas houve "muito má sorte" no acidente ferroviário de Adamuz

Óscar Puente afirmou que as fissuras e ruturas nos carris de linhas de comboio não ocorrem por falta de sistemas de segurança e controlo, mas às vezes "pode haver falhas".

23 de janeiro de 2026 às 19:08
Colisão de comboios em Córdoba Foto: DR
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O ministro dos Transportes de Espanha disse esta sexta-feira que todas as inspeções foram respeitadas na linha do acidente ferroviário de Adamuz, em Córdova, e que as fissuras nos carris são habituais, mas houve "muito má sorte" neste caso.

A rutura nos carris de linhas de comboio "é um problema recorrente" em toda a Europa, como comprovam os cerca de 3.000 avisos e participações que recebe anualmente a Agência Ferroviária da União Europeia (ERA, na sigla em inglês), disse o ministro Óscar Puente, numa conferência de imprensa em Madrid.

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O ministro falava horas depois de ser conhecido o relatório preliminar da comissão independente de investigação do acidente de domingo, que fez 45 mortos.

Segundo o documento, "pode colocar-se a hipótese" de que uma "fratura do carril" tenha estado na origem do descarrilamento do comboio de alta velocidade da Iryo, no qual depois chocou outra composição, também de alta velocidade.

O ministro afirmou que todas as inspeções foram respeitadas na linha onde ocorreu o acidente e que houve até mais vigilância e testes do que os mínimos exigidos.

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"Não foi a manutenção, nem a obsolescência [antiguidade] nem a falta de controlos que levaram ao acidente", afirmou.

Óscar Puente afirmou que as fissuras e ruturas nos carris de linhas de comboio não ocorrem por falta de sistemas de segurança e controlo, mas às vezes "pode haver falhas".

"Talvez a conclusão, quando isto terminar, seja que é necessário fazer outro tipo de controlos", afirmou.

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As ruturas são "um problema recorrente das redes ferroviárias" e na imensa maioria dos casos "estes eventos decorrem sem consequências", mas no caso de Adamuz, "houve muito má sorte" e as consequências foram "extremamente graves", acrescentou.

O ministro referia-se ao facto de um comboio de alta velocidade ter passado apenas 20 segundos depois no local onde tinha descarrilado o primeiro, chocando com três carruagens que invadiram a via de sentido contrário.

Segundo as primeiras conclusões das autoridades, foi este choque que provocou a tragédia, que se saldou em 45 mortos e cerca de 150 feridos.

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Óscar Puente reiterou também que quatro incidências reportadas nos últimos quatro meses nesta linha não estavam relacionadas com a infraestrutura.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, pediu hoje ao parlamento nacional para ir a uma sessão plenária dar explicações aos deputados sobre a situação da rede ferroviário do país, segundo fontes da Moncloa, a sede do Governo.

Não existe ainda uma data para essa sessão.

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O relatório preliminar da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) conhecido hoje coloca a hipótese de que uma "fratura no carril" tenha provocado o descarrilamento de domingo em Adamuz e destaca que terá agora de ser corroborada por análises e cálculos detalhados.

Segundo o mesmo documento, os investigadores encontraram marcas nas rodas do comboio Iryo, o primeiro que descarrilou, compatíveis com uma deformação num carril.

Por outro lado, foram também identificadas marcas com "um padrão geométrico compatível" em rodas de carruagens de comboios que tinham circulado pela mesma zona antes deste acidente.

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"Quanto às causas da rutura do carril não se descarta nenhuma hipótese", segundo a CIAF.

O ministro dos Transportes considerou hoje que haver já um relatório preliminar com uma hipótese para explicar o acidente dá "certa tranquilidade" e afirmou que esta é também "a tese que os técnicos consideravam mais plausível".

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