Moçambicanos denunciam supostos terroristas em campos agrícolas
Ataques estarão a levar à fuga de camponeses na província de Cabo Delgado.
A população da aldeia de Chitunda, província moçambicana de Cabo Delgado, denunciou este domingo a circulação permanente de supostos terroristas em zonas de produção agrícola local, levando à fuga dos camponeses.
Segundo as fontes, o movimento de supostos terroristas, em Ruarua, a quase 40 quilómetros de Chitunda, na estrada Nacional 380, distrito de Muidumbe, tem vindo a agravar-se nas últimas semanas, levando parte dos camponeses a abandonarem os seus campos agrícolas.
Na última semana, um grupo de camponeses avistou insurgentes a atravessarem a zona de Ruarua, provocando a fuga destes para Chitunda e para a sede do distrito de Muidumbe, receando ataques.
"Já passaram perto das nossas cabanas e tivemos que abandonar a zona", lamentou outra fonte, em Chitunda.
Os camponeses temem o saque dos seus campos agrícolas pelos rebeldes, com a aproximação do período da colheita.
"Não sei se vamos conseguir tirar tudo, eles passam aqui sempre", queixou-se outra fonte.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou cinco eventos violentos em duas semanas, quatro envolvendo extremistas do Estado Islâmico, com 30 mortos, elevando para praticamente 6.500 o total de óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 23 de fevereiro a 08 de março, dos 2.338 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.168 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.498 mortos, refere-se no novo balanço, incluindo as 30 vítimas reportadas neste período de duas semanas, essencialmente extremistas e militares moçambicanos.
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