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Mais seis mortos em fevereiro na província moçambicana de Cabo Delgado

Já são 6.466 os mortos desde 2017.

27 de fevereiro de 2026 às 11:47

A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado registou sete eventos violentos nas duas últimas semanas, quatro envolvendo extremistas do Estado Islâmico, com seis mortos, elevando para 6.466 o total de óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 09 a 22 de fevereiro, dos 2.331 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.162 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.466 mortos, refere-se no novo balanço, incluindo as seis vítimas reportadas neste período de duas semanas.

Acrescenta-se que "mais de uma semana após o início do Ramadão", o EIM, neste período de duas semanas analisado, "continuou a concentrar-se na obtenção de alimentos e outros bens de primeira necessidade" e que "militantes baseados na floresta de Catupa emboscaram uma coluna de viaturas comerciais na N380", conforme noticiado anteriormente pela Lusa.

Este ataque "levou a confrontos prolongados com as forças do Estado e a pelo menos três mortes, um número que provavelmente aumentará", lê-se.

"Ao longo da costa e nas ilhas ao largo da costa, as interações com as comunidades têm sido relativamente moderadas, com os suprimentos sendo obtidos ou comprados. Apenas uma ação violenta ocorreu na costa --- o lançamento de uma granada propulsada por foguete contra uma base militar moçambicana nos arredores de Mocímboa da Praia", aponta-se ainda no relatório da ACLED.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou em 08 de dezembro, em entrevista à Lusa, não descartar uma solução pela via do diálogo para o terrorismo no norte do país, porque o que Moçambique quer "é a paz".

"Vamos continuar a trabalhar e, havendo esta linha, esta possibilidade, não há problemas nenhuns que se encontre alguma solução. O que nós queremos é a paz para o povo moçambicano", disse Chapo, no Porto, em entrevista à margem da cimeira com Portugal.

"O que nós queremos é a paz e Moçambique é uma nação com uma experiência extraordinária nesta área. Se se recordar, tivemos uma guerra [entre as forças governamentais e a guerrilha da Renamo] de desestabilização que durou cerca de 16 anos, matou mais de um milhão de pessoas, destruiu bens públicos e privados, mas acabou através do diálogo. Portanto, foi assim que houve a assinatura dos Acordos Gerais de Paz em Roma, a 04 de outubro de 1992", acrescentou.

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