Mulheres com menstruação irregular têm maior probabilidade de morrer antes dos 70 anos, diz estudo
Pesquisa divulgada pelo British Medical Journal reuniu dados de mais de 79 mil mulheres.
Um estudo divulgado pelo British Medical Journal e citado pelo jornal britânico The Guardian chegou à conclusão de que as mulheres que têm períodos irregulares e ciclos menstruais longos podem apresentar um maior risco de morrer antes dos 70 anos.
O ciclo menstrual é o ciclo hormonal mensal pelo qual o corpo de uma mulher passa durante os seus anos reprodutivos e é contado desde o primeiro dia do período até ao dia imediatamente anterior ao início do próximo. Em média, este período dura 28 dias, ainda que varie de mulher para mulher. Ciclos entre 24 e 35 dias também são considerados normais. Assim sendo, são os ciclos menstruais que se prolonguem por mais de 40 dias que são considerados longos e que estão associados a doenças como cancro nos ovários, problemas cardíacos, diabetes do tipo 2 e problemas mentais.
Para este estudo, os investigadores recolheram dados de 79.505 mulheres que se encontravam no período pré-menopausa e tiveram em conta fatores como o peso, idade, estilo de vida e situação hereditária. Depois de analisadas as informações, a equipa descobriu que as mulheres que afirmaram ter ciclos menstruais irregulares e que por norma duram mais de 40 dias têm maiores probabilidades de sofrer uma morte precoce. No caso das mulheres que se situavam na faixa etária dos 29 aos 46 anos e que tinham períodos irregulares, 39% tinha uma maior probabilidade de morrer precocemente.
"Este estudo é um verdadeiro passo em frente para preencher a lacuna de dados que existe na saúde da mulher", afirmou Jacqueline Maybin, investigadora e ginecologista da Universidade de Edimburgo (Escócia), que alertou ao The Guardian que a menstruação irregular é um "sintoma" e não um "diagnóstico".
De acordo com o mesmo estudo, é possível que os fatores que estão a provocar ciclos menstruais irregulares também sejam responsáveis pelo risco elevado de morte prematura. A síndrome do ovário policístico, por exemplo, é uma causa comum de menstruação irregular e sabe-se que as mulheres que sofrem desta doença apresentam um maior risco de desenvolver diabetes, hipertensão e cancro no útero.
"O ponto importante ilustrado por este estudo é que a regularidade menstrual e a saúde reprodutiva fornecem uma janela para a saúde geral a longo prazo, e as medidas para melhorar a saúde e o bem-estar de mulheres jovens com um ciclo menstrual irregular também podem melhorar a saúde ao longo da vida", realçou Adam Balen, porta-voz da Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas em Londres, citado pela referida publicação britânica.
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