"Não podemos levantar-nos todos os dias com um novo 'tweet' de um presidente a ameaçar o mundo": Lula ataca Trump
Presidente brasileiro criticou ainda a ONU sobre uma suposta omissão ante os inúmeros conflitos que eclodiram no mundo.
O presidente brasileiro, Lula da Silva, que está desde quinta-feira em visita à Espanha, voltou este sábado a criticar a ONU sobre uma suposta omissão ante os inúmeros conflitos que eclodiram no mundo e a atacar o presidente dos EUA, Donald Trump, por todos os dias lançar uma nova ameaça a algum país do mundo. Lula fez as declarações ao participar em Barcelona no Forum Internacional em Defesa da Democracia.
“Nós não podemos levantar-nos todos os dias de manhã e ir dormir todos os dias à noite com um novo twitt de um presidente da República a ameaçar o mundo, a anunciar uma nova guerra. Um chefe de Estado não pode ficar a usar as redes sociais para ameaçar o mundo”, disparou Lula da Silva, sem citar nominalmente o seu homólogo norte-americano mas sem deixar dúvidas sobre o destinatário das críticas.
Esta sexta-feira, também em Barcelona, Lula já tinha atacado Donald Trump, dessa vez citando-o pelo nome, num outro evento político naquela cidade espanhola. No seu discurso, Lula afirmou que Trump não foi eleito para ser o imperador do mundo e sim somente para ser o presidente dos Estados Unidos e que por isso deveria restringir as suas ações ao próprio país.
Numa nova crítica à ONU e ao secretário-geral da entidade, o português António Guterres, o veterano político brasileiro, de 80 anos, voltou a pedir o fim do poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e reformas radicais e urgentes na organização. Lula criticou Guterres diretamente, acusando-o de estar a omitir-se face aos graves conflitos que o mundo vive neste momento, e disse que o secretário-geral da ONU tem poder e já o dveria ter usado para convocar reuniões extraordinárias da Assembleia-Geral da entidade para mudar as atuais regras e tentar levar paz ao mundo.
Lula da Silva, que está em campanha para tentar a reeleição nas presidenciais brasileiras de outubro, quando tentará o quarto mandato presidencial, mudou radicalmente o seu posicionamento em relação a Donald Trump nas últimas semanas. Depois de há meses tanto ele quanto Trump terem dito que entre eles havia uma química que os aproximava muito não obstante as diferenças ideológicas, o brasileiro começou a atacar o norte-americano quase diariamente após o início da guerra dos EUA e Israel contra o Irão, e tem intensificado esses ataques em viagens a outros países para obter mais repercussão.
Um encontro de alto nível entre Lula e Trump, então ainda unidos pela tal química, estava previsto para o final do passado mês de fevereiro em Washington, mas foi sucessivamente adiado semana após semana. Agora, já nem se fala nisso, Trump deixou de elogiar Lula em discursos e o brasileiro decidiu partir para o ataque contra o norte-americano, até por perceber que isso lhe rende frutos entre os eleitores brasileiros anti-EUA.
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