Negociações "construtivas" entre os EUA e o Irão apesar de novas ameaças
Irão fechou temporariamente o Estreito de Ormuz durante manobras navais e ameaçou afundar porta-aviões americano.
A segunda ronda de negociações indiretas entre os EUA e o Irão que decorreu esta terça-feira em Genebra, na Suíça, foi "mais construtiva" que a anterior apesar de novas ameaças de parte a parte.
"A atmosfera nesta ronda de negociações foi mais construtiva. Fizemos bom progressos em relação ao primeiro encontro", afirmou o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, adiantando que as duas partes "chegaram a acordo sobre os princípios gerais que irão guiar as negociações". No entanto, Abbas Araqhchi avisou que um acordo ainda está distante: "Vai demorar algum tempo para conseguir aproximar as posições de ambas as partes. A via para um acordo está aberta mas isso não significa que um acordo seja alcançado rapidamente", afirmou.
As negociações, que decorreram de forma indireta com mediação de diplomatas de Omã, duraram cerca de três horas e meia. A delegação norte-americana, liderada pelos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner, não prestou declarações no final.
Apesar do ambiente aparentemente construtivo das negociações, os dois países continuam a trocar ameaças em público. Depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado repetidamente atacar o Irão se não for possível chegar a um acordo sobre a eliminação do seu programa nuclear, o regime de Teerão respondeu esta terça-feira com a realização de manobras navais com disparo de mísseis no Estreito de Homuz, que levaram mesmo à suspensão parcial e temporária do tráfego marítimo naquela importante via, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Paralelamente, o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do Irão, avisou, num discurso proferido enquanto decorriam as negociações de Genebra, que os EUA "nunca conseguirão destruir a República Islâmica" e ameaçou mesmo destruir os porta-aviões enviados pelos EUA para a região. "Um porta-aviões é certamente uma arma formidável, mas ainda mais formidável é a arma capaz de o atirar para o fundo do mar", avisou.
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