O mistério da anfetamina em Madrid: substância mudou de peso e cor entre apreensão e análise laboratorial

Futuro do arguido que está a ser julgado no Tribunal Provincial de Madrid depende da resposta a este mistério. Acusação pede uma pena de oito anos de prisão por tráfico de droga enquanto a defesa pede a absolvição.

23 de abril de 2026 às 17:01
Anfetaminas Foto: Getty Images
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A trajetória de um carregamento de anfetaminas apreendido em Madrid, Espanha, levantou suspeitas relativamente às encomendas que lá seguiam. Algumas chegam atrasadas, outras perdem-se pelo caminho e outras, as que resultaram neste mistério, perdem peso e mudam de aparência. Entre a apreensão e a análise laboratorial, a substância perdeu cerca de 10% do seu peso e mudou de cor. 

O futuro de um arguido que está a ser julgado esta semana no Tribunal Provincial de Madrid depende da resposta a este mistério. A acusação pede uma pena de oito anos de prisão por tráfico de droga enquanto a defesa pede a sua absolvição, com o argumento de que a substância analisada não é a mesma que foi apreendida, avança o GranMadrid. 

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O início do caso remonta a janeiro de 2021, no bairro de Delicias, em Madrid, quando as autoridades abordaram um motorista que se encontrava a conduzir de forma irregular. Segundo o relato dos agentes da Unidade de Intervenção Policial (IUP), o homem atirou um cigarro de canábis pela janela e, após revistarem o veículo, encontraram um pequeno pacote de anfetaminas que o homem admitiu ser seu, e outro pacote com cerca de 30 centímetros de comprimento escondido por baixo de um cobertor no banco de trás do veículo.

O problema surge quando este segundo pacote muda de mãos e começa o processo administrativo. A primeira pesagem, realizada numa balança de precisão numa farmácia, marcou 490 gramas. De seguida, o produto foi armazenado num cofre até ser enviado para o Instituto de Medicina Legal. Durante esse trajeto, de acordo com a defesa, o peso, a embalagem e a cor da substância alteraram.

De 490 a 456 gramas de anfetaminas

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Os especialistas do Instituto de Medicina Legal explicaram que receberam um saco registado em 490 gramas mas, durante uma nova pesagem, anotaram 456 gramas. Após removerem a embalagem, restaram apenas 322 gramas de substância. 

Um dos oficiais atribui estas discrepâncias às "diferenças" entre as balanças de precisão usadas inicialmente pela farmácia e mais tarde pelo Instituto de Medicina Legal. Ainda assim, foi apontada uma outra possível explicação, "a humidade da amostra". Desta forma, as questões permanecem sem resposta em julgamento. 

A defesa enfatizou nas alegações finais que não foi apenas o peso que mudou, mas também a aparência. O que as autoridades descreveram como "uma massa gelatinosa branco-amarelada", não corresponde à cor "bege" do relatório pericial. Segundo um agente, a substância foi transportada "por uma viatura diferente da envolvida na operação", um facto que o advogado ressaltou não constar no relatório. 

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Assim, a defesa pede a absolvição do arguido uma vez que considera que a droga sofreu mutações, perdeu peso e mudou de aparência, por isso, não é possível ter a certeza de que o que foi analisado pelo laboratório como anfetaminas seja exatamente o mesmo que foi apreendido inicialmente. 

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