OMI diz que nenhum país tem direito de bloquear estreito de Ormuz
Organização Marítima Internacional diz que as conversações estão "em curso com todas as partes relevantes, em particular aquelas que operam o atual esquema de separação de tráfego, Irão e Omã".
Nenhum país tem o direito de bloquear ou impor portagens no estreito de Ormuz, afirmou esta segunda-feira o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez.
"Os países não têm o direito de bloquear um estreito internacional utilizado para a navegação internacional", afirmou o responsável, durante uma conferência de imprensa em Londres, à margem da 13.ª sessão do Comité Jurídico da OMI.
O mexicano respondia ao anúncio de um bloqueio pelos Estados Unidos no estreito de Ormuz, a partir das 15:00 (mesma hora em Lisboa), para pressionar o Irão a levantar as restrições à passagem de navios naquela passagem.
Na prática, um novo bloqueio não terá um grande impacto, pois só terão passado 11 embarcações nas últimas 48 horas, quando o normal seriam 130 por dia, sublinhou.
"Um bloqueio adicional não traz quaisquer mudanças, nem soluções para a crise que enfrentamos", lembrando que continuam retidos no golfo Pérsico cerca de 20 mil marinheiros e 1.600 navios.
Sobre a intenção manifestada pelo Irão de implementar um sistema de "portagens", o responsável rejeitou esta ideia.
"Segundo o direito marítimo internacional, tal como previsto nas convenções do direito do mar e nos tratados internacionais relativos à navegação internacional, todos os países devem respeitar o direito de passagem inofensiva e o direito à liberdade de navegação, não existindo quaisquer mecanismos legais que permitam a cobrança de portagens, independentemente do país que as imponha", salientou.
Dominguez adiantou que está a trabalhar num plano de retirada de navios e que as conversações estão "em curso com todas as partes relevantes, em particular aquelas que operam o atual esquema de separação de tráfego, Irão e Omã".
O secretário-geral da OMI alertou para que, "até que a situação se acalme e seja seguro fazê-lo, nenhum navio deve transitar pelo estreito de Ormuz".
O responsável disse não ter qualquer informação oficial sobre a presença de minas naquelas águas e lamentou a continuação do conflito.
"O transporte marítimo continua a ser usado como colateral para este tipo de negociações, o que, naturalmente, é prejudicial, não só para os marinheiros inocentes, os países da região, mas globalmente todos os que estão a ser afetados. Por isso, o meu apelo contínuo é ao diálogo multilateral na diplomacia, a fim de acalmar os ânimos e permitir-nos operar como antes", resumiu.
A OMI iniciou a 13.ª sessão do Comité Jurídico, que trata de questões como a responsabilidade e indemnização relacionadas com a operação de navios e atividades ilegais no mar que afetem a segurança da navegação.
O estreito de Ormuz é uma passagem estreita que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e é usada para exportar 20% do petróleo mundial, 19% do gás natural liquefeito e 13% dos produtos químicos e fertilizantes necessários para a agricultura.
O Irão tem mantido o controlo total sobre a navegação pelo estreito, tendo apenas permitido desde o início da guerra a passagem de navios de países aliados, e com os quais manteve conversações recentes, como a China e a Índia.
A guerra em curso no Médio Oriente foi desencadeada por uma ofensiva de Estados Unidos e Israel, lançada em 28 de fevereiro, quando decorriam negociações entre Washington e Teerão precisamente sobre o programa nuclear iraniano.
O Irão retaliou com o bloqueio do estreito de Ormuz e ataques contra alvos israelitas, bases norte-americanas na região e infraestruturas civis e energéticas nos países vizinhos.
Provocou também subidas nos preços do petróleo dado o bloqueio pelo Irão do estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção de energia mundial, o que fez recear uma crise inflacionária global.
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