OMS diz que variante Ómicron revela "situação perigosa" em que se encontra o mundo desde o início da pandemia

Diretor-geral diz estar desapontado com o facto de vários países terem imposto restrições a passageiros provenientes do sul de África.

09 de dezembro de 2021 às 12:34
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus Foto: Reuters
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O surgimento da variante do coronavírus Ómicron está a revelar a "situação perigosa" em que o mundo se encontra há dois anos após o início da pandemia de COVID-19.A OMS considerou que a pandemia de covid-19 avança a dois ritmos, diferentes, referindo-se ao impacto da doença em pessoas vacinadas e pessoas não vacinadas.

As revelações são do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que diz estar desapontado com o facto de vários países terem implementado restrições a passageiros provenientes do sul de África. Tedros defendeu que a transparência poderia ajudar a acabar com a pandemia.

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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde pediu esta quarta-feira aos governos para reverem as suas estratégias sanitárias de resposta à Covid-19 face à nova variante do vírus da doença, a Ómicron, que parece ser mais contagiosa.

"Cada Governo, cada indivíduo, deve usar todos os instrumentos de que dispomos e os Estados devem rever os seus planos nacionais à luz da situação atual", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa conferência de imprensa sobre a situação da pandemia de covid-19.

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OMS considera que há uma pandemia "a duas velocidades"

A OMS considerou que a pandemia de covid-19 avança a dois ritmos, diferentes, referindo-se ao impacto da doença em pessoas vacinadas e pessoas não vacinadas.

No caso das vacinadas, podem ser infetadas na mesma pelo coronavírus SARS-CoV-2 mas terão, na maioria dos casos, formas mais benignas da doença, enquanto as pessoas não vacinadas estão a representar "entre 80% e 90% " das infeções graves, hospitalizações e mortes.

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No entanto, a diretora do departamento de imunização da OMS, Kate O'Brien, manteve em conferência de imprensa que "isto não deve interpretar-se de modo nenhum como falta de eficácia das vacinas".

"À medida que a cobertura da vacinação aumenta, entre os novos casos haverá uma maior proporção que corresponde a pessoas vacinadas. Não é surpreendente que, havendo mais pessoas vacinadas, vejamos um número maior de infeções".

Salientou que "o risco maior é para as pessoas não vacinadas, pelo que há uma pandemia a duas velocidades", afirmou na apresentação das últimas conclusões do grupo que aconselha a OMS sobre imunização.

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Kate O'Brien indicou que a variante mais recente do SARS-CoV-2 descoberta na África Austral (Ómicron) poderá gerar mais pressão sobre o armazenamento de vacinas e que altere os planos dos países mais ricos, que anunciaram doações das doses que têm a mais aos países mais pobre, encaminhando-as em vez disso para vacinação de reforço das suas populações.

Argumentou que a contenção da pandemia não funcionará "a menos que as vacinas cheguem a todos os países onde a transmissão continua e de onde estão a surgir variantes".

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