Papa Francisco no Iraque com mensagem de paz para calar "extremistas e fanáticos"

Presidente do Iraque considera que a visita do Sumo Pontífice católico será sinal para a coexistência pacífica dos iraquianos.

26 de fevereiro de 2021 às 09:06
Francisco chega a 5 de março a um país destruído pela guerra e o terrorismo do Daesh, e agora confinado pela Covid-19 Foto: Reuters
Partilhar

O presidente do Iraque, Barham Salih, saudou a visita do Papa ao país, na próxima semana, considerando que enviará uma mensagem de "paz e tolerância" a todos os iraquianos, para calar "os extremistas e fanáticos".

Falando numa conferência virtual da norte-americana Brookings Institution, Salih lembrou as matanças recentes dos radicais do Daesh, que entre 2014 e 2017 se apossaram de boa parte do Centro e Norte do Iraque, para afirmar: "Estes terroristas, estes extremistas e fanáticos não podem invocar o nome de Deus nem de Abraão" para matar.

Pub

Salih destacou igualmente o papel dos cristãos no Iraque e garantiu que "os iraquianos estão muito emocionados por verem o primeiro Papa" no país, especialmente em Najaf, cidade santa muçulmana que, frisou, "historicamente levantou a voz em apoio dos cristãos". Recorde-se que o Daesh perseguiu com grande dureza os cristãos, que hoje são somente cerca de 500 mil. Em 2003 eram mais de 1,5 milhões.

Durante a sua visita, que arranca no dia 5 de março, Francisco vai encontrar-se com o ayatollah Ali Sistani, máxima autoridade xiita do país, e visitará a antiga cidade de Ur, junto a Nassíria, no Sul do Iraque, referida na Bíblia como lugar de nascimento de Abraão. Visitará ainda a capital, Bagdad, e também Irbil, Mossul e Qaraqosh.

Pub

Celebrações ameaçadas por confinamento

A primeira visita de um Papa ao Iraque está cheia de riscos, mas, mais do que a violência radical, o que Francisco mais receia é a pandemia. De facto, ante as restrições impostas para controlar a Covid, o Papa arrisca-se a encontrar um país deserto, com muitos cristãos impedidos de se deslocarem para assistir às celebrações agendadas. Nesse caso, porquê a visita nesta altura? O cardeal Leonardo Sandri explica que a intenção é "retirar ao Iraque o estigma de país de morte e terrorismo".

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar