Paquistão declara "guerra aberta" e bombardeia capital do Afeganistão
Primeiro-ministro paquistanês garante que "reduzirá a pó" qualquer agressão de Cabul.
O Paquistão bombardeou a capital do Afeganistão, Cabul, num escalar da tensão bélica en6tre os dois países que já viu Islamabad declarar "guerra aberta" contra o regime talibã afegão.
Os ataques seguem-se a meses de confronto na fronteira entre os dois países, tendo o Afeganistão lançado na quinta-feira operações em "larga escala" contra o Paquistão.
O primeiro-ministro do Paquistão advertiu esta sexta-feira que o exército tem "plena capacidade para reduzir a pó qualquer ambição agressiva", na primeira reação oficial após a declaração de "guerra abertado país do país contra o regime talibã do Afeganistão.
"A nação inteira está de pé, ombro a ombro com as Forças Armadas", afirmou Muhammad Shehbaz Sharif, numa série de mensagens publicadas na rede social X, ressaltando que as tropas paquistanesas cumprem funções "com fervor nacional" sob a liderança do marechal Syed Asim Munir.
O primeiro-ministro paquistanês insistiu que não haverá "nenhum compromisso na defesa da querida pátria e o Paquistão responderá com firmeza" a qualquer incursão.
"As nossas forças estão equipadas com capacidades profissionais, formação superior e uma estratégia defensiva eficaz para enfrentar qualquer desafio interno ou externo", afirmou Sharif.
Na reação imediata, um porta-voz dos talibã afirmou à imprensa internacional que o regime fundamentalista islâmica "vai retaliar se atacado", mas que "não vão começar confrontos neste momento".
A declaração do chefe do Governo paquistanês constitui um marco político na escalada bélica derivada dos ataques de Islamabad da semana passada contra supostos refúgios do grupo insurgente TTP (movimento talibã do Paquistão) em solo afegão.
A crise teve como resposta dos talibãs uma série de ataques na fronteira entre os dois países, coordenados por Cabul na quinta-feira à noite, e a subsequente reação de Islamabad, com o bombardeamento da capital afegã e confrontos na Linha Durand, demarcação da fronteira.
O Paquistão afirma que os ataques de Islamabad causaram a morte de 133 talibãs e mais de 200 feridos, enquanto o Ministério da Defesa afegão estimou as próprias baixas em oito combatentes mortos e onze feridos, além de treze civis afetados pelos bombardeamentos.
Já os talibãs afirmam ter matado 55 soldados paquistaneses, ter sob custódia 23 cadáveres de militares paquistaneses e um número indeterminado de prisioneiros.
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