Parlamento Europeu quer promover regiões remotas da UE para reduzir turismo excessivo
Relatório defende que o turismo sustentável na UE "deve aliviar a pressão sobre os locais mais procurados, inspirar os viajantes a explorar regiões remotas e melhorar as ligações a destinos emergentes".
O Parlamento Europeu aprovou esta terça-feira um relatório com medidas para promover regiões europeias remotas e menos visitadas, como o reforço das ligações de transporte, de forma a aliviar a pressão das zonas com turismo excessivo.
O relatório, aprovado com 439 votos a favor, 42 contra e 129 abstenções, defende que o turismo sustentável na União Europeia (UE) "deve aliviar a pressão sobre os locais mais procurados, inspirar os viajantes a explorar regiões remotas e melhorar as ligações a destinos emergentes".
"Uma vez que 80% dos viajantes visitam 10% dos destinos mundiais, os eurodeputados sugerem que se procurem formas de aliviar a pressão sobre os locais que sofrem com o turismo em excesso e de redirecionar os visitantes para destinos menos conhecidos, emergentes ou remotos, como zonas rurais centrais, montanhas ou regiões insulares", refere o Parlamento Europeu (PE) em comunicado.
Os eurodeputados consideram que "a gastronomia, o vinho, a cerveja, o património, o ciclo e as experiências de turismo regenerativo podem criar novas oportunidades para destinos emergentes, prolongar as viagens para além das épocas altas e gerar rendimentos adicionais".
Para garantir que há opções de transporte viáveis para chegar a esses destinos remotos, e de forma a tornar o turismo europeu "mais sustentável", o Parlamento Europeu propõe que se melhorem as ligações de transporte e se crie um apoio específico para o aluguer de veículos elétricos.
Os eurodeputados pedem também mais comboios noturnos transfronteiriços e a "rápida implantação de sistemas integrados de bilhética e sem descontinuidades, para abranger os serviços ferroviários, aéreos e marítimos".
Para aliviar a pressão sobre os locais com turismo em excesso, os eurodeputados consideram que as novas regras da UE para os arrendamentos de curta duração "são um passo positivo rumo a uma gestão mais eficaz".
"No entanto, defendem mais esforços para evitar que o crescimento e a comercialização não regulamentada dos arrendamentos de curta duração resultem numa perda de autenticidade, em problemas de habitação local e na deslocação de residentes", refere-se.
Nesse sentido, o PE pede à Comissão para propor uma legislação que crie um "quadro da UE coerente para o arrendamento de curta duração, que defina normas de prestação de serviços, clarifique as categorias de acolhimento e permita aos países da UE limitar o número de dormidas de visitantes ou introduzir regimes de autorização".
Num contexto de escassez de mão-de-obra no turismo, o Parlamento Europeu propõe também a criação de um "cartão de competências, para documentar a formação, as competências, as qualificações e a experiência profissional acreditadas no setor do turismo".
Citado neste comunicado, o relator deste texto, o eurodeputado maltês Daniel Attard, salienta que este relatório visa influenciar a próxima estratégia da UE para o turismo sustentável.
O relatório "contribuirá para uma distribuição mais equitativa do turismo entre as regiões, melhorará a conectividade, apoiará melhores condições de trabalho, protegerá o ambiente, preservará a nossa identidade e exigirá regras justas em matéria de arrendamento de curta duração em toda a Europa", refere o eurodeputado.
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