Petroleiro russo com 740 mil barris de crude atraca em Cuba

País vive uma grave crise energética devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.

31 de março de 2026 às 14:43
Petroleiro Foto: Lusa
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Um petroleiro russo com 740 mil barris de crude, o equivalente a 100 mil toneladas, chegou esta terça-feira ao porto de Matanzas, em Cuba, quando o país vive uma grave crise energética devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.

A embarcação, o 'Anatoly Kolodkin", que pertence à corporação Sovkomflot, está sob sanções norte-americanas desde 2024, mas partiu do porto russo de Primorsk a 09 de março.

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Este é o primeiro carregamento de petróleo a chegar à ilha nos últimos três meses.

O petroleiro foi visto por volta das 08:00 (13:00 em Lisboa) a manobrar para atracar no porto de Matanzas, o principal porto petrolífero da ilha.

Cuba enfrenta uma grave crise desde meados de 2024, que se agravou com o bloqueio de petróleo imposto pelo governo norte-americano desde janeiro numa ação que as Nações Unidas descreveram como violações dos direitos humanos.

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A ilha das Caraíbas necessita de cerca de 100 mil barris de petróleo por dia, dos quais obtém apenas 40 mil dos seus próprios poços.

O crude do navio 'Anatoli Kolodkin' demorará entre 15 e 20 dias a ser processado e mais cinco a dez dias para ser entregue como produto refinado.

A carga russa poderá ser transformada em 250 mil barris de gasóleo, o suficiente para suprir a procura do país durante pouco mais de 12 dias.

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O Presidente norte-americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva a 29 de janeiro ameaçando impor tarifas a qualquer pessoa que forneça petróleo a Cuba, em resposta à promessa do da presidência russa (Kremlin) de ajuda humanitária para ultrapassar a crise.

A incapacidade das autoridades cubanas para satisfazer a procura energética resultou em apagões diários prolongados e na paralisia quase total da economia.

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, declarou na segunda-feira que o seu Governo está a trabalhar com as autoridades cubanas para reativar o fornecimento de petróleo à ilha, depois de Trump ter indicado no domingo que não via problema com o facto de Cuba receber combustível russo.

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A este propósito, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os Estados Unidos permitiram a chegada de um petroleiro russo a Cuba por "razões humanitárias" e que analisarão "caso a caso" se autorizarão a chegada de outros navios.

O Kremlin afirmou, por sua vez, que vai continuar a prestar ajuda a Cuba, tendo o porta-voz presidencial, Dmitry Peskov, afirmado, na sua conferência de imprensa diária, que "a Rússia considera que é seu dever não ficar de braços cruzados e oferecer a assistência necessária".

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