Polícia brasileira recaptura fugitivos de prisão de segurança máxima após 50 dias

Autoridades cercaram-nos em cima sobre o Rio Tocantins, local escolhido por não permitir qualquer rota de fuga.

Prisão xxx Foto: Tiago Sousa Dias
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A polícia brasileira recapturou esta quinta-feira os dois líderes da fação criminosa Comando Vermelho que tinham fugido há 50 dias da Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Mossoró, no interior do estado do Rio Grande do Norte. A fuga de Rogério Mendonça e Deibson do Nascimento aconteceu dia 14 de Fevereiro, quarta-feira de cinzas, e foi a primeira fuga de uma prisão federal no Brasil desde que a primeira foi construída há 18 anos.

Os dois fugitivos foram recapturados na cidade de Marabá, no interior do estado do Pará, a mais de 1500 quilómetros de distância de Mossoró. Eles circulavam em três carros com outros criminosos quando os agentes, numa ação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) os surpreendeu e cercou em cima da ponte sobre o Rio Tocantins, local escolhido por não permitir qualquer rota de fuga aos procurados.

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A caça aos dois fugitivos chegou a reunir mais de 600 agentes de várias corporações regionais e federais, inclusive da Força Nacional, auxiliados por grande número de helicópteros, drones e cães pisteiros. Na semana passada, o Ministério da Justiça, reconhecendo aparentemente o fracasso da megaoperação, retirou as forças federais das buscas, mas as prisões dos dois a tão grande distância do local da caçada oficial faz pensar que a PF já tinha pistas concretas.

Rogério e Deibson fugiram numa ação espectacular que até agora não teve prova de corrupção ou envolvimento de funcionários da prisão, mas revelou falhas gigantescas para uma cadeia que se orgulhava de ser à prova de fugas. Os dois presos, que estavam em celas separadas e, pelo menos na teoria, não tinham como comunicar, esburacaram as paredes das celas, arrancaram grossas barras de ferro lá de dentro, alargaram com elas o ínfimo espaço no teto por onde passam os fios de energia e saíram no mesmo dia e na mesma hora, atravessaram toda a prisão pelo telhado e depois ainda cortaram a cerca de grades com alicates que encontraram numa obra da reforma da penitenciária.

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Mais de uma vez o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, o ex-juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, chegou a anunciar que a prisão dos dois fugitivos era uma questão de horas, mas a caça aos fugitivos prolongou-se por quase dois meses. Outras seis pessoas foram presas ao longo desses 50 dias por suspeita de terem ajudado os fugitivos, e na ação desta quinta-feira além de Rogério e de Deibson foram presas mais quatro pessoas que estavam com eles nos carros intercetados.

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