Rádio pública húngara retoma emissões após suspensão pelo Governo de Magyar
Será implementado plano de reforma da programação, preservando os programas "que valem a pena" e combinando jornalistas que já trabalhavam na estação com novas contratações.
A rádio pública húngara Kossuth retomou esta segunda-feira as emissões, após um mês e meio de suspensão determinada pelo novo Governo, que acusou o anterior executivo de Viktor Orbán de a usar para propaganda partidária.
"Após 16 anos de degradação em pura propaganda partidária e um mês e meio de transição, a programação da rádio Kossuth está de volta ao ar", anunciou a nova direção interina no início da emissão.
Os responsáveis informaram que será implementado um plano de reforma da programação, preservando os programas "que valem a pena" e combinando jornalistas que já trabalhavam na estação com novas contratações.
A suspensão da Kossuth foi decretada em simultâneo com a do canal público de televisão M1, que retomou as emissões na semana passada, por decisão do Governo do primeiro-ministro conservador Péter Magyar.
A medida concretizou uma promessa feita por Magyar durante a campanha para as eleições parlamentares de abril de encerrar temporariamente os órgãos públicos de comunicação que considerava terem sido manipulados durante o anterior Governo do ultranacionalista Viktor Orbán.
Na primeira manhã após o regresso às emissões, a Kossuth transmitiu uma reportagem com declarações de um voluntário húngaro que combate as forças russas na Ucrânia, além de entrevistas com analistas independentes e políticos da oposição.
Conteúdos deste género não eram permitidos durante o Governo de Orbán, considerado um aliado próximo do Kremlin e que, desde a chegada ao poder em 2010, foi acusado de exercer um controlo apertado sobre os meios de comunicação estatais.
Em 2011, o Governo de Orbán aprovou uma controversa legislação sobre a imprensa, designada pelos críticos como "lei da mordaça", que restringiu a liberdade de informação e criou um Conselho de Comunicação Social constituído por membros nomeados pelo partido Fidesz.
Vários jornalistas que trabalharam em órgãos independentes durante os últimos 16 anos integram agora a equipa da Kossuth e garantem que a estação pública passará a funcionar de forma independente.
A nova direção interina da empresa pública MTVA deverá permanecer em funções até à aprovação de uma nova lei sobre a comunicação social pelo Parlamento, onde o partido Tisza, de Magyar, dispõe de uma maioria de dois terços.
A MTVA publicou recentemente um relatório de 500 páginas no qual documenta alegados casos de manipulação, censura e pressão política exercida durante a governação de Orbán sobre os meios de comunicação públicos.
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