Seis empresas movimentaram 4,41 mil milhões de euros para grupo criminoso PCC no Brasil

Revelação foi feita esta quinta-feira pela autoridade tributária e aduaneira do país.

28 de maio de 2026 às 17:20
A organização criminosa em questão é o Primeiro Comando da Capital Foto: Frank Hoermann/AP
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A autoridade tributária e aduaneira do Brasil anunciou esta quinta-feira que seis tecnológicas movimentaram 26 mil milhões de reais, o equivalente a 4,41 mil milhões de euros, para o crime organizado em quatro anos.

A revelação foi feita em conferência de imprensa durante a nova fase da Operação Carbono Oculto, apelidada Fluxo Oculto, conduzida pelo Ministério Público (MP) do estado de São Paulo e pela autoridade tributária e aduaneira (Receita Federal do Brasil).

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A organização criminosa em questão é o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores fações do Brasil, que se especializou nos últimos anos em lavar dinheiro do crime no mercado formal, entre eles o setor de combustível.

As investigações apontaram que as 'fintechs' (empresas de inovação tecnológica), sediadas no principal centro financeiro da cidade de São Paulo e do Brasil, continuaram a ocultar dinheiro do crime organizado, mesmo após o início da Carbono Oculto, em agosto do ano passado.

"Outras seis 'fintechs' foram identificadas dentro de um conjunto de operações de organizações criminosas, cujo início é a adulteração de combustíveis, sonegação fiscal na importação de nafta [derivado de petróleo]", declarou o ministro da Fazenda (Finanças), Dario Durigan.

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Ao todo, foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Os alvos da Fluxo Oculto são empresários, operadores financeiros, testas de ferro e pessoas ligadas ao setor de combustíveis.

O esquema criminoso de adulteração de combustíveis com nafta petroquímica resultou, segundo os investigadores, em 200 milhões de reais sonegados em impostos em dois anos, o equivalente a 33,9 milhões de euros.

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Iniciada em 2025, a Operação Carbono Oculto revelou o avanço do crime organizado, principalmente do PCC, no ecossistema do mercado de combustíveis, instituições de pagamentos, de investimento e mercado imobiliário.

Os investigadores do MP de São Paulo identificaram que o esquema continuou a funcionar através da descoberta dessas seis novas 'fintechs', apontadas como "bancos paralelos" por lavarem dinheiro do PCC.

O grupo criminoso continuou a abrir novas empresas e, para tentar despistar ações de fiscalização e investigação, realizou trocas de membros dos quadros societários e transação constante de recursos entre 'fintechs'.

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Uma única 'fintech' chegou a receber mil milhões de reais em depósitos em espécie entre 2022 e 2024, o equivalente a 169,9 milhões de euros, movimentação considerada atípica e suspeita pelos investigadores.

Roberto Augusto Leme da Silva (o Beto Louco) e Mohamad Hussein Mourad (o Primo) são apontados pelas autoridades brasileiras como responsáveis por articular o esquema de fraudes envolvendo o PCC e as 'fintechs'.

Os dois são considerados foragidos e, mesmo morando fora do Brasil, fecharam, este mês, um acordo de delação com o Ministério Público do estado da Baía, após o MP de São Paulo recusar um acordo.

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Conforme apurou a Lusa à época, os promotores do MP de São Paulo rejeitaram o acordo de delação por entenderem que "Beto Louco" e "Primo" omitiram informações sobre lavagem de dinheiro, conexões do esquema com o PCC e não forneceram nomes de polícias e de juízes corruptos.

A Operação Carbono Oculto no Brasil, iniciada o ano passado, ajudou o Governo brasileiro a ganhar força política para instituir uma norma que passou a exigir das 'fintechs' o mesmo grau de transparência a que os bancos tradicionais estão obrigados perante as autoridades reguladoras.

Além disso, o Banco Central do Brasil passou a proibir que 'fintechs' sem licença usem termos como "banco" e "bank", para não confundir os consumidores e agentes do mercado.

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Em relação à adulteração de combustíveis, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) intensificou fiscalizações pelo país, além de interditar postos de combustíveis e centros de distribuição controlados pelo PCC.

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