Subida do Vox assusta partidos dominantes nas legislativas espanholas
Tensão na Catalunha reforçou apoio ao partido de extrema-direita, que pode ser o terceiro mais votado.
A somente três dias das eleições legislativas em Espanha, o primeiro-ministro em funções pediu ontem desculpa por ter afirmado, no dia anterior, que o Ministério Público e os juízes "dependem do governo". Pedro Sánchez atribuiu a frase infeliz ao cansaço, mas os analistas apontam o nervosismo, causado pela queda do PSOE nas sondagens e pela subida acentuada dos radicais de extrema-direita do Vox, que deverão tornar-se o terceiro maior partido espanhol.
"São muitas entrevistas, muitas horas diante das câmaras. Por vezes não se é muito preciso", afirmou Sánchez, garantindo que sempre respeitou a independência dos tribunais. E esclareceu que a promessa de trazer de volta a Espanha o ex-presidente catalão Carles Puigdemont, algo que depende exclusivamente dos tribunais espanhóis e belgas, "foi só uma expressão de debate eleitoral".
A gafe e a correção vieram sublinhar o impacto que a crise na Catalunha teve na campanha. Quando em julho se ponderou a repetição das eleições, por incapacidade de Sánchez se entender com o Podemos para formar governo, o Vox não dava sinais de poder crescer. Mas quando em outubro a violência estalou na Catalunha após a condenação de líderes separatistas, o cenário mudou. O Vox surgiu de súbito nas sondagens como terceiro maior partido, com mais de 40 deputados eleitos, relegando o Cidadãos para quarto e roubando ao PP votos de protesto contra Sánchez e o PSOE.
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