Subidas no preço dos transportes causam confrontos em São Paulo
Um protesto de estudantes e trabalhadores contra o aumento, que começou a vigorar sábado, de 6,7% nas passagens dos autocarros, do metropolitano e dos comboios da cidade brasileira de São Paulo terminou em violentos confrontos com a polícia na noite desta quinta-feira.
Pelo menos 15 manifestantes foram detidos e, segundo o Movimento Passe Livre, que organizou o protesto, 30 manifestantes ficaram feridos.
Os tumultos, que começaram às 18h00 locais, 22h00 em Lisboa, junto ao Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo, centro da capital paulista, estenderam-se rapidamente por outros pontos da cidade, como a Rua São Bento, as avenidas 23 de maio e 9 de julho, e só terminaram mais de duas horas depois na Avenida Paulista.
Ao longo dessas duas horas ocorreram vários embates e houve excessos tanto por parte dos manifestantes, que vandalizaram sinais, autocarros, bancas de jornais, estações do metropolitano e até um centro comercial, quanto por parte da polícia, que usou de extrema violência.
Os confrontos mais graves ocorreram após os manifestantes, cerca de 2000, segundo a polícia, ou 5000, segundo os organizadores do protesto, interromperem o trânsito na Avenida 23 de maio, na chamada 'Ligação Norte-Sul', na 9 de julho e, finalmente, na Avenida Paulista, onde houve uma indescritível batalha campal.
Os manifestantes, depois de terem sido dispersados pela polícia ao fecharem a Paulista junto ao Museu de Arte de São Paulo, MASP, e de terem depredado as estações do metropolitano Trianon, Brigadeiro e Vergueiro, voltaram a concentrar-se algumas centenas de metros adiante, em frente ao Shopping Paulista, e fizeram barricadas incendiando cones de sinalização do trânsito e outros materiais.
A tropa de choque, com mais de 300 homens, carregou usando bombas de efeito moral e de gás lacrimogéneo, sprays de pimenta e balas de borracha e bateu com gosto em quem estava na frente, mesmo sem oferecer resistência ou já dominado.
Durante a refrega, vidros do elegante centro comercial e até de um carro que estava exposto no shopping para uma promoção foram destruidos.
Milhares de pessoas apanhadas no meio da confusão na hora de regressarem a casa tiveram que se proteger onde e como puderam, tanto para não serem atingidas pelas pedras e objetos arremessados pelos manifestantes quanto pelas sucessivas cargas policiais, houve grandes transtornos nos transportes e formaram-se gigantescos congestionamentos.
Tudo isso poderá repetir-se nesta sexta-feira, pois o mesmo movimento marcou para o final do dia uma nova manifestação, que pretende reunir ainda mais gente e protestar agora também contra a atuação da polícia.
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