Teerão exige que navios apresentem um pedido 48 horas antes de atravessar Ormuz

Pico de tráfego observado na quinta-feira seguiu-se à assinatura do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão na quarta-feira.

19 de junho de 2026 às 19:18
Teerão exige que navios apresentem um pedido 48 horas antes de atravessar Ormuz Foto: Direitos reservados
Partilhar

A autoridade marítima iraniana responsável pela supervisão do estreito de Ormuz exigiu esta sexta-feira que todos os navios apresentem um pedido de trânsito com "48 horas de antecedência" para atravessar a passagem.

"A fim de evitar quaisquer atrasos na entrada ou na saída do estreito de Ormuz, é essencial que os pedidos de passagem, acompanhados de todas as informações necessárias, sejam apresentados pelo menos 48 horas antes da chegada à zona", indicou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) na rede social X.

Pub

A reabertura de Ormuz à navegação marítima faz parte de um dos pontos do memorando de entendimento assinado entre os Estados Unidos e Irão na quarta-feira.

O tráfego no estreito mostra sinais de restabelecimento depois de, na quinta-feira, ter-se registado um pico diário com a passagem de 25 navios, informaram portais especializados, coincidindo com a entrada em vigor do memorando de entendimento.

No entanto, a incerteza continua quanto ao calendário de uma reabertura total do estreito, por onde passava 20% do tráfego mundial de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito desencadeado pela ofensiva israelo-americana no final de fevereiro, especialmente devido às minas marítimas e ao cancelamento das conversações previstas para esta sexta-feira na Suíça entre Washington, Teerão e os mediadores Paquistão e Qatar.

Pub

O meio de comunicação especializado em trânsito marítimo Kpler também verificou a passagem de 25 navios e esclareceu que isto representa "um aumento notável na atividade marítima diária".

Salientou que o tráfego se distribuiu uniformemente "em ambas as direções, e a maioria dos navios seguiu as rotas iranianas estabelecidas", tendo-se registado, entre eles, "cinco navios sujeitos a sanções entre as travessias", ao mesmo tempo que não foram confirmados "ataques físicos adicionais desde 10 de maio".

"Embora este aumento nas travessias diárias aponte para uma melhoria nas condições operacionais, os pormenores de implementação ainda por resolver e a persistência de travessias não autorizadas indicam um elevado grau de cautela por parte dos operadores de navios", concluiu a mesma fonte.

Pub

O pico de tráfego observado na quinta-feira seguiu-se à assinatura do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão na quarta-feira.

No entanto, as discussões previstas para hoje na Suíça, que deveriam dar início a um processo negocial de 60 dias para resolver a questão central do programa nuclear iraniano, foram adiadas.

Também a plataforma marítima AXSMarine observou a retoma do tráfego marítimo em Ormuz, mas apontou que as operações de remoção de minas no estreito continuam e os armadores devem agir com cautela até que as seguradoras restabeleçam condições normais de cobertura.

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar