Trinta eurodeputados pedem que se congele aprovação de acordo comercial com EUA devido à Gronelândia

Eurodeputados instam ainda o Parlamento Europeu a "incentivar a Comissão a suspender quaisquer negociações adicionais com os EUA até deixarem de ser feitas ameaças contra a UE".

14 de janeiro de 2026 às 10:45
Parlamento Europeu Foto: DR
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Um grupo de trinta eurodeputados, incluindo a portuguesa Catarina Martins, escreveu esta quarta-feira uma carta a pedir para o Parlamento Europeu congelar a aprovação do acordo comercial com os Estados Unidos devido às ameaças sobre a Gronelândia.

A carta, divulgada nas redes sociais pelo eurodeputado dinamarquês Per Clausen, é dirigida à presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e a todos os líderes dos grupos políticos europeus, e foi subscrita por 30 eurodeputados, num total de 720.

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Na missiva, os eurodeputados referem que o Parlamento Europeu "está prestes a concluir os trabalhos para aprovar (ou rejeitar) o acordo [comercial] fechado entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump", este verão, estando prevista uma votação em plenário em fevereiro.

"Caso avancemos e aprovemos este acordo que Trump viu como uma vitória pessoal, numa altura em que faz reivindicações sobre a Gronelândia e se recusa a excluir qualquer forma de as concretizar, isso será facilmente visto como dando-lhe uma recompensa a ele e às suas ações", afirmam.

Para estes eurodeputados, de 13 Estados-membros da União Europeia (UE) e que pertencem aos grupos dos Socialistas e Democratas (S&D), Verdes Europeus e A Esquerda, "nem a Gronelândia, nem a Dinamarca, nem a UE sairiam beneficiadas" caso seja ratificado o acordo com os Estados Unidos no atual contexto.

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Nesse sentido, este grupo de eurodeputados pede que o Parlamento Europeu "congele imediatamente qualquer trâmite relativo ao acordo comercial com os EUA enquanto forem feitas reivindicações ou ameaças sobre a Gronelândia" pela administração de Donald Trump.

Querem também que o Parlamento Europeu "comunique de forma clara e serena, tanto ao Conselho Europeu, como à Comissão Europeia e aos Estados Unidos" que a instituição não tenciona celebrar acordos com países que ameaçam a integridade territorial do bloco europeu.

Os eurodeputados instam ainda o Parlamento Europeu a "incentivar a Comissão a suspender quaisquer negociações adicionais com os Estados Unidos até deixarem de ser feitas ameaças contra a UE ou qualquer um dos seus Estados-membros".

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Esta carta foi divulgada poucas horas antes de um encontro na Casa Branca entre responsáveis gronelandeses, dinamarqueses e norte-americanos sobre o futuro do território autónomo dinamarquês.

Esta reunião acontece numa altura em que Donald Trump tem reiterado que pretende anexar a Gronelândia, a bem ou a mal, por considerar que a ilha do Ártico é fundamental para a defesa dos Estados Unidos.

Este verão, a UE e os EUA atingiram um acordo político de comércio tarifário que estabelece uma tarifa de base de 15% sobre a maioria das exportações europeias para os Estados Unidos, incluindo setores como automóveis, semicondutores e produtos farmacêuticos, com esse valor a servir como teto claro para os direitos aduaneiros.

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Ao mesmo tempo, foi acordada a eliminação das tarifas para produtos estratégicos.

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