Trump liga ameaça à Gronelândia com recusa do Nobel da Paz

Presidente dos EUA diz que "já não se sente obrigado a pensar apenas na paz".

20 de janeiro de 2026 às 01:30
Donald Trump Foto: Direitos Reservados
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O presidente Donald Trump relacionou, numa carta enviada ao primeiro-ministro da Noruega, a sua posição agressiva face à Gronelândia com o facto de não ter recebido o Prémio Nobel da Paz, sugerindo que está a ameaçar os aliados europeus por despeito e acrescentando que "já não se sente obrigado a pensar apenas na paz".

"Caro Jonas: tendo em conta que o seu país decidiu não me dar o Prémio Nobel da Paz apesar de ter acabado com mais de oito guerras, já não me sinto obrigado a pensar apenas na paz, embora seja sempre prioritária, e posso agora concentrar-me no que é melhor para a América. A Dinamarca não tem capacidade para proteger este território [Gronelândia] da Rússia e da China, e porque é que teriam afinal um 'direito de propriedade'? Não existem documentos escritos, apenas se sabe que um barco atracou ali há centenas de anos, mas nós também tínhamos barcos a atracar ali. Eu fiz mais pela NATO do que qualquer outra pessoa desde a sua fundação e agora a NATO deve fazer alguma coisa pelos EUA. O mundo não estará seguro enquanto não tivermos controlo total e completo sobre a Gronelândia", escreveu Trump na mensagem a Jonas Gahr Store, que voltou a lembrar que o Nobel é atribuído por um comité independente e não pelo governo norueguês.

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A explicação não convenceu Trump, que esta segunda-feira voltou a insistir no assunto. "Eles gostam de dizer que não têm nada a ver com isso, mas têm tudo a ver", acusou numa entrevista à NBC News. Questionado se admite recorrer à força para controlar a Gronelândia, Trump respondeu: "Sem comentários". Já sobre a ameaça de impor tarifas aos países europeus que se opõem à sua intenção de controlar a Gronelândia, disse estar "100 por cento" disposto a cumpri-la. "A Europa deveria preocupar-se mais com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, olhem como isso está. É nisso que deveriam concentrar-se, não na Gronelândia", afirmou.

Depois de no fim de semana ter reagido com firmeza às ameaças de Trump, ameaçando invocar o mecanismo anticoerção da UE e suspender a ratificação do acordo comercial com os EUA, Bruxelas apelou esta segunda-feira à calma. "A prioridade aqui é conversar, não provocar uma escalada, e evitar a questão das tarifas", afirmou um porta-voz da Comissão Europeia. Já o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que os líderes europeus esperam conseguir chamar Trump à razão durante o Fórum de Davos, na Suíça, que começa esta terça-feira. O presidente dos EUA, que lidera a maior delegação norte-americana de sempre, discursa ao início da tarde de quarta-feira.

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