Presidente norte-americano ameaça aplicar sobretaxas aos países que rejeitam a sua ambição de adquirir a Gronelândia.
Os governos europeus estão a preparar contramedidas para responder à ameaça do Presidente norte-americano de aplicar sobretaxas aos países que rejeitam a sua ambição de adquirir a Gronelândia, afirmou esta segunda-feira o ministro da Economia alemão.
Lars Klingbeil declarou, numa conferência de imprensa em Berlim com o homólogo francês, Roland Lescure, que a Europa não cederá a chantagens e dará uma resposta clara e unânime através de medidas concertadas, noticiou a agência France-Presse (AFP).
Entre as opções referidas por Klingbeil estão o congelamento do acordo aduaneiro entre os Estados Unidos e a União Europeia (UE) ou a entrada em vigor de taxas sobre produtos norte-americanos importados.
Lescure expressou esperança de que os instrumentos de dissuasão funcionem e que a situação não se agrave.
O ministro francês defendeu que a Europa deve afirmar o seu poder, ao mesmo tempo que tenta reduzir a pressão e promover o desanuviamento.
Lescure admitiu, no entanto, a possibilidade de serem tomadas decisões prejudiciais para todas as partes e anunciou uma próxima reunião ministerial do G7 (grupo das sete maiores economias mundiais) para discutir a crise da Gronelândia.
Para Klingbeil, as ameaças de Trump à soberania da Gronelândia e da Dinamarca ultrapassaram um limite, e exigem uma reação forte da UE.
O ministro alemão considerou a situação séria, mas defendeu que tal não marca o fim da relação transatlântica.
Referiu que existem sinais encorajadores tanto de democratas como de republicanos que discordam das posições de Trump.
Trump ameaçou no sábado oito países europeus que enviaram militares para um exercício na Gronelândia com novas taxas alfandegárias, caso o território autónomo da Dinamarca não seja integralmente vendido aos Estados Unidos.
O líder republicano considera que a ilha do Ártico é vital para a segurança dos Estados Unidos e cita a ameaça de ser controlada pela Rússia e pela China, negada por Copenhaga.
A ameaça de Trump foi feita à Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Países Baixos, Noruega, Suécia e Reino Unido.
Também o comissário europeu Stéphane Séjourné afirmou esta segunda-feira em Paris que a UE dispõe de ferramentas para dissuadir Trump de impor novas taxas aduaneiras aos países que se opõem à anexação da Gronelândia pelos Estados Unidos.
Séjourné defendeu na rádio France Inter que a chantagem deve parar e considerou que Trump cometeu um erro grave ao testar os europeus nos princípios fundamentais da autodeterminação dos povos e da soberania territorial.
O comissário afirmou que a Gronelândia nunca será norte-americana e defendeu que se a Europa não se afirmar, não haverá limites para o desejo de poder e de anexação da ilha do Ártico.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse que irá pedir aos homólogos europeus a ativação do instrumento anticoerção da UE caso as ameaças de Trump sejam concretizadas.
Macron convocou para esta segunda-feira uma reunião do Conselho de Defesa e Segurança Nacional para discutir a situação internacional, particularmente a Gronelândia, Síria e Irão.
Séjourné reforçou que, encontrando-se os Estados Unidos na fase da ameaça, a UE deve estar no mesmo nível.
Defendeu que o instrumento anticoerção funciona como uma arma de dissuasão para permitir o diálogo e evitar a aplicação efetiva das taxas.
As medidas possíveis incluem a proibição de empresas norte-americanas concorrerem a concursos públicos europeus ou o fecho do mercado europeu a certas companhias dos Estados Unidos.
A UE poderá ainda ativar um pacote de taxas alfandegárias adicionais contra os Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros, que se encontra atualmente congelado.
Num tom oposto ao da UE, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recusou esta segunda-feira entrar numa guerra comercial com os Estados Unidos, preferindo uma "discussão calma entre aliados".
"Uma guerra comercial não é do interesse de ninguém e a minha função é sempre agir no interesse nacional do Reino Unido", justificou Starmer durante uma conferência de imprensa em Londres.
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