Venezuela e Guiana acordam reunião para debater disputa territorial e chamam Lula da Silva para mediar

Reunião entre Nicolás Maduro e Irfaan Ali foi marcada para a próxima quinta-feira, 14 de dezembro, em São Vicente e Granadinas, pequeno arquipélago nas Caraíbas.

10 de dezembro de 2023 às 11:30
Nicolás Maduro e Lula da Silva Foto: Evaristo Sa/Getty
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Depois de semanas de crescente tensão e movimentações militares que alarmaram toda a América do Sul, os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, concordaram finalmente em reunir-se para discutirem a pretensão territorial dos venezuelanos sobre o território guianês de Essequibo. A aceitação da reunião, para o qual foi convidado o presidente do Brasil, Lula da Silva, é o primeiro alívio na região depois de no passado dia 3 os venezuelanos terem aprovado em referendo a pretensão do presidente de anexar à Venezuela o Essequibo, que corresponde a 70% da área total da Guiana, e de, em resposta, os EUA terem realizado manobras militares conjuntas com a Guiana, de que são aliados.

A reunião entre Maduro e Irfaan foi marcada para a próxima quinta-feira, 14 de dezembro, em São Vicente e Granadinas, pequeno arquipélago nas Caraíbas. O anúncio do encontro foi feito pelo primeiro-ministro deste país, Ralph Gonsalves, depois de telefonemas dele este sábado para os dois presidentes para costurar o acerto.

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Gonsalves avançou que tanto Maduro quanto Irfaan solicitaram que o presidente do Brasil, Lula da Silva, esteja presente à reunião, como observador e, se for necessário, como moderador. Maduro e Irfaan já confirmaram o encontro, mas a presidência da república do Brasil até este domingo ainda não tinha confirmado a presença de Lula na reunião.

A pretensão da Venezuela sobre o território de Essequibo, riquíssimo em petróleo, ouro, diamantes, cobre e níquel, entre outras riquezas, arrasta-se há dois séculos e os venezuelanos têm sido repetidamente derrotados nessa reivindicação por diversos tribunais internacionais. Mas Nicolás Maduro, já em plena campanha para tentar a reeleição nas presidenciais do próximo ano e tentando usar o nacionalismo dos venezuelanos para ganhar popularidade, tomou repentinamente uma série de graves medidas unilaterais, assinando decretos que transformam o território da vizinha Guiana num novo estado da Venezuela, ameaçando indirectamente começar uma guerra para tomar posse de Essequibo de facto, e já mandou até mudar os mapas da Venezuela, que desde há dias já mostram como território venezuelano a área que, na verdade, pertence à Guiana

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