“Devia existir uma licença para comprar líquidos corrosivos”, diz a vítima.
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Daniel Rotariu, de 31 anos, residente em Londres, foi surpreendido durante o sono, quando a namorada o acordou com ácido sulfúrico. A mulher experimentou primeiro numa salsicha.
Eram 02h00 da manhã e, enquanto Daniel estava a dormir, a mulher atirou, intencionalmente, o líquido corrosivo em direção ao rosto do homem.
A princípio, Daniel achou que era água quente. Contudo, dentro de poucos segundos, uma dor lancinante e intensa começou a instalar-se e ele percebeu que a pele estava, literalmente, a queimar e a derreter.
Katie Leong, a mulher de 51 anos, derramou meio litro de ácido sulfúrico sobre o namorado, que acabou por ficar cego e com marcas profundas na pele.
Ácido sulfúrico está disponível em qualquer loja
Daniel é apenas uma das milhares de vítimas britânicas desta nova onda de crime, onde os líquidos corrosivos – disponíveis em qualquer loja – são a nova preferência de armas mortais.
Em declarações ao Sunday Mirror, Daniel fala na sequência do horrível ataque: "O ácido tomou parte de mim e eu nunca serei o mesmo", afirma. "Nunca esquecerei o choque, a dor do ácido a queimar a minha pele e a impotência de não conseguir fazê-la parar", revela.
"Os ataques com ácido fazem cicatrizes profundas nas vítimas, não apenas no exterior (…) alguma coisa tem de mudar para impedir o acesso a estes produtos por qualquer pessoa", admite, revoltado.
"O ácido sulfúrico não deve ser vendido ao público sem uma licença. Quantas mais vidas precisam de ser arruinadas, antes que isto seja banido?", questiona, dirigindo-se ao governo britânico.
Leong, a ex-mulher de 51 anos, era dita como "extremamente ciumenta". Quando decidiram morar juntos, Daniel rapidamente se apercebeu que seria uma questão de tempo até não aguentar mais a relação. Quando planeou sair, Leong atacou-o.
"Eu estava a dormir (…) quando acordei, não sabia se era um sonho. O choque, a dor, a sensação de ardor e pele queimada. Não consigo descrevê-lo", continua.
A vítima diz ter sentido um dos olhos a ficar turvo e, por fim, "ficou tudo branco".
O tribunal confirmou que Leong havia testado numa salsicha primeiro, para ter a certeza de que queimaria igualmente em carne humana.
Daniel passou cinco semanas em coma enquanto os médicos da Unidade de Queimaduras do Hospital da Cidade de Nottingham lutavam para salvá-lo.
Após as cinco semanas, Daniel foi acordado do coma induzido.
Daniel não se podia mexer, não conseguia ver, não conseguia falar e, num ato de desespero, tentou suicidar-se. Depois deste episódio, a vítima foi transferida para um centro de apoio.
Lá, conheceu Anna, a enfermeira que cuidava dele. Quando a mulher o viu, mesmo com as cicatrizes, apaixonou-se de imediato. Anna recorda como "ele era engraçado, inteligente e divertido".
Daniel conta como o "no nosso primeiro encontro, os meus amigos vieram buscar-nos e deixaram-nos num restaurante, onde a beijei pela primeira vez".
Anna, que tem um filho, Jack, de cinco anos, diz que a conexão foi instantânea. Meses depois, Anna tornou-se cuidadora a tempo inteiro de Daniel e foram morar juntos.
"Eu estava a viver com o diabo e agora estou a viver com um anjo. Já conversámos sobre casamento e sobre ter filhos", afirma, feliz.
A verdade é que, uma vez que é cego, Daniel nunca viu as cicatrizes que lhe cobrem todo o rosto. Nesse sentido, também nunca viu a namorada Anna.
Katie Leong foi condenada por tentativa de homicídio, com possibilidade de pena de prisão perpétua, com um mínimo de 17 anos. No início deste mês, foi condenada a pagar a Daniel cerca de 20 mil euros, em compensação pelos danos causados.
Contudo, Daniel não considera a pena suficiente, uma vez que "nunca serei como era antes, nem em 100 anos". Para além disso, diz que "pensar que ela poderá sair daqui a 17 anos é nojento".
E acrescentou: "Um dia, vou visitá-la. Estou curioso para saber o que é que ela poderá ter para me dizer".
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