page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Quatro milhões de pessoas podem morrer de sida devido aos cortes dos EUA até 2030

De acordo com a ONU, 1,3 milhões de pessoas foram infetadas pelo VIH em 2024, 40% menos do que em 2010.

10 de julho de 2025 às 13:28

A ONU alertou esta quinta-feira que poderão ocorrer seis milhões de novas infeções por VIH e quatro milhões de mortes adicionais relacionadas com a doença até 2030 se os cortes nos fundos dos Estados Unidos persistirem.

Num relatório publicado em Joanesburgo, África do Sul, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Sida (ONUSIDA) afirmou que as suas projeções apontam para esse cenário no caso de uma "interrupção permanente" do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da Sida (PEPFAR), que previa cerca de 4,3 mil milhões de dólares (3,67 mil milhões de euros) de "apoio bilateral" para este ano.

Os programas contra o VIH (vírus causador da sida) em todo o mundo, sublinhou, enfrentam "reduções drásticas e repentinas no financiamento da resposta global ao VIH anunciadas pelo Governo dos Estados Unidos no início de 2025".

"Estes serviços foram interrompidos da noite para o dia quando o Governo dos Estados Unidos mudou as suas estratégias de assistência externa", indica-se no relatório, intitulado "Sida, crise e o poder de transformar".

De acordo com o documento da ONUSIDA, a onda de cortes de fundos desestabilizou as cadeias de abastecimento, provocou o encerramento de centros de saúde, deixou milhares de clínicas sem pessoal, atrasou programas de prevenção, interrompeu a deteção precoce do VIH e obrigou várias organizações comunitárias a reduzir ou cessar as suas atividades.

Por exemplo, só em Moçambique, mais de 30.000 profissionais de saúde foram afetados, enquanto na Nigéria o início da profilaxia pré-exposição (PrEP, tratamento contra o VIH) caiu de 40.000 para 6.000 pessoas por mês.

"Existe o receio de que outros grandes países doadores possam retirar-se da solidariedade que têm mantido com os países mais pobres. Se isso acontecer e os cortes e congelamentos atuais continuarem, décadas de avanços na resposta ao VIH podem ser revertidas e o objetivo de acabar com a sida como ameaça à saúde pública (até 2030) ficaria em risco", alertou a ONUSIDA.

De acordo com a ONU, 1,3 milhões de pessoas foram infetadas pelo VIH em 2024, 40% menos do que em 2010, das quais metade se encontrava na África subsaariana, onde no ano passado as infeções caíram 56%.

Em 2024, 630.000 pessoas, 61% delas na África subsaariana, morreram por causas relacionadas com a sida, 54% menos do que em 2010, graças à disponibilização de exames e tratamentos gratuitos.

"Cinco países (Lesoto, Maláui, Nepal, Ruanda e Zimbabué) estavam a caminho de alcançar uma redução de 90% nas novas infeções até 2030 em comparação com 2010", precisou o relatório.

No documento, a diretora executiva da ONUSIDA, Winnie Byanyima, afirmou que a assistência internacional representa 80% dos programas de prevenção em países de baixa e média renda.

O corte na ajuda dos EUA "não é apenas um défice de financiamento, é uma bomba-relógio", declarou Byanyima, lembrando que "a resposta ao VIH já salvou 26,9 milhões de vidas".

Na África subsaariana, onde vive mais de 60% de todas as pessoas com VIH, o fornecimento de terapia antirretroviral, entre outros avanços, levou a um aumento da esperança de vida, que passou de 56,5 anos em 2010 para 62,3 anos em 2024.

Apesar de tudo, a diretora executiva da ONUSIDA salientou que "ainda há tempo para transformar esta crise numa oportunidade" e que "os países estão a intensificar o seu apoio com fundos nacionais. Agora precisamos de uma solidariedade global que esteja à altura da sua coragem e resiliência", afirmou.

A ONUSIDA estima que, se o mundo adotar novas tecnologias, eficiências e abordagens, o custo anual da resposta ao VIH poderá ser reduzido em 7 mil milhões de dólares (5,97 mil milhões de euros).

"Em tempos de crise, o mundo deve optar pela transformação em vez da retirada. Juntos, ainda podemos acabar com a SIDA como ameaça à saúde pública até 2030 se agirmos com urgência, unidade e um compromisso inabalável", concluiu Byanyima.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8