Em causa está a reivindicação do pagamento completo do 13.º salário de 2025 - contra os 40% aprovados pelo Governo a pagar até fevereiro - e melhores condições de trabalho no setor.
Os profissionais de saúde moçambicanos afirmam que a greve iniciada há dez dias é para manter, apesar das inundações em mais de 200 unidades sanitárias, e acusam o Governo de ameaças para a retoma das atividades.
"A greve está em peso e vamo-nos manter firmes na greve, apesar das inundações. Estas inundações tiveram previsões e o Governo deveria ter-se preparado", disse à Lusa o presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave.
Em causa está uma greve dos profissionais de saúde moçambicanos iniciada em 16 de janeiro, com duração de 30 dias prorrogáveis, em reivindicação do pagamento completo do 13.º salário de 2025 - contra os 40% aprovados pelo Governo a pagar até fevereiro - e melhores condições de trabalho no setor.
Dados atualizados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que desde 07 de janeiro pelo menos 203 unidades sanitárias ficaram afetadas pelas inundações, mas o presidente da APSUSM adiantou que, mesmo com esse número impossibilitado de funcionar, nos outros hospitais vai manter-se a reivindicação.
"A greve vai manter-se, nas condições de braços cruzados, e vamos intensificar (...). O Governo continua impávido, mas já houve alguma conversação, apesar de não ser em absoluto", disse o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave.
Questionado sobre a real situação das unidades sanitárias inundadas, Muchave disse que se trata de um "número ilusório", mal calculado pelas autoridades moçambicanas, aludindo que há hospitais afetados e que não oferecem serviços devido à inundações.
"São 168 hospitais fechados pelas inundações, é só somente ver as zonas afetadas e calcular. Pela greve estão fechadas 322 unidades sanitárias", disse Anselmo Muchave, lamentando a falta de cuidados às populações.
"Em Moçambique a saúde nunca esteve boa, o Presidente da República deve levantar e arregaçar as mangas", apelou o líder da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique.
Nas mesmas declarações, Anselmo Muchave acusou o Governo de ameaças aos profissionais da saúde, cujo objetivo é obrigá-los a retornar aos postos de trabalho, sobretudo nas províncias de Gaza e Inhambane, no sul de Moçambique, e Nampula, no norte, pedindo respeito pelo direito à greve.
"O Governo deu ordens aos governadores, diretores provinciais de saúde, para que ameacem com corte de salários, mesmo quando a falta é ausência física e a greve são legais. Ameaça ainda com processos disciplinares, expulsão do serviço", disse, indicando que, mesmo com ameaças, a greve é para manter.
"A greve é um direito, mas nesses sítios deixa de ser. Os profissionais estão firmes e insatisfeitos porque dizem que o Presidente da República, que é um jurista, deveria impedir atos não abonatórios. Os profissionais estão insatisfeitos com as condições de trabalho que as unidades sanitárias estão a enfrentar", acrescentou o presidente da APSUSM.
Entre as condições imediatas para que se pare com a greve estão o pagamento do ordenado [13.º salário] por completo e a colocação do material de trabalho nas unidades de saúde do país, além de haver a necessidade de um trabalho conjunto entre a associação e o Governo, visto que os profissionais de saúde é que têm o real controlo das unidades sanitárias, disse antes o presidente da APSUSM.
A decisão do pagamento parcial do 13.º salário foi tomada este mês em reunião do Conselho de Ministros, em Maputo, e "depois de uma análise meticulosa dos dados macro financeiros", disse o secretário de Estado do Tesouro de Moçambique, Amílcar Tivane, reconhecendo a redução face ao pagamento feito em fevereiro de 2025, de 50% do 13.º salário de 2024.
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