Vilma Grunwald morreu em julho de 1944 numa câmara de gás em Auschwitz.
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Momentos antes de morrer numa câmara de gás em Auschwitz, em julho de 1944, Vilma Grunwald entregou uma carta de despedida a um dos guardas para que este a fizesse chegar ao marido, Kurt, e aos filhos que também tinham sido enviados para o mesmo campo de concentração.
A carta foi mesmo entregue ao marido. Kurt Grunwald morreu com 67 anos, em 1967, e foi após a sua morte que o filho Frank, também conhecido por Misa, encontrou a carta.
"O papel já estava amarelado. Mal a vi percebi que era a letra da minha mãe", contou ao jornal Sky News.
Durante décadas o sobrevivente não conseguiu ler o manuscrito.
A história de Frank
Frank Grunwald tinha 11 anos quando foi mandado para Auschwitz, em 1943, com os pais e o irmão mais velho.
"Éramos o segundo lote de 5 mil presos enviados para aquele campo", revela acrescentando que, em Setembro, o primeiro lote transportava a mesma quantidade de pessoas.
A família foi mantida inicialmente num acampamento de uma família checa, uma manobra para mostrar à Cruz Vermelha que os judeus checos eram bem tratados, e mais tarde os nazis fizeram uma segunda seleção do grupo de presos em que a família estava inserida.
"O meu irmão John, que era quatro anos mais velho que eu, era deficiente e foi escolhido para morrer", conta Frank. Quando Vilma descobriu que o filho mais velho ia ser enviado para a câmara de gás decidiu ir com ele. "Ela não suportava a ideia de ele entrar na câmara de gás sozinho", justifica.
Frank explica que a mãe entregou a carta a um guarda mais velho que "não sofreu a lavagem cerebral pelo regime nazi" e por isso aceitou passar o manuscrito a Kurt.
O pai contou ao menino a existência da carta, mas, com apenas 12 anos, Misa não quis ler a carta. Só quando Kurt morreu é que Frank voltou a encontrar o papel com as palavras da mãe.
"E quando finalmente a li achei muito perturbador. Surpreendi-me com o quão positiva e calma estava na carta", relata.
"As palavras corajosas de minha mãe não tinham raiva ou ódio contra os nazis e eram tão positivas. Estava mais interessada na vida do meu pai e na minha vida do que na sua própria situação", acrescentou Frank.
A emocionante carta
Para Frank não fazia sentido manter a carta guardada. Queria que esta fosse uma memória de todos os que morreram e passaram por Auschwitz. "Pessoas que nunca magoaram ninguém ou desejaram algo de mal a alguém e foram mortas nesses campos" afirma.
O manuscrito está em exibição no Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos.
"Para ti, o meu único amor. Estamos no isolamento à espera da escuridão. Considerámos a possibilidade de nos escondermos, mas decidimos não o fazer já que sentimos que seria impossível. Os famosos camiões já estão aqui e estamos à espera que comece. Estou completamente calma.
Não te culpes pelo que aconteceu, foi o nosso destino. Fizemos o que podíamos.
Mantem-te saudável e lembra-te das minhas palavras de que o tempo vai curar tudo - se não completamente, pelo menos parcialmente.
Cuida do rapazinho de ouro e não o estrague muito com seu amor.
Fiquem bem, meus queridos. Eu estarei a pensar em ti e no Misa. Tenham uma vida maravilhosa. Temos de entrar nos camiões.
Para eternidade, Vilma."
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