Sarah, de 44 anos, perdeu peso e assume ter dificuldade em comer.
Esteve infetada com Covid-19 em maio mas ainda hoje sente os efeitos adversos que a doença lhe deixou. Sarah Govier, de 44 anos, afirma ter sofrido com a doença nas coisas mais elementares tais como sentir o cheiro de café ou saborear um pedaço de chocolate. A mulher britânica, terapeuta ocupacional, ficou com parosmia, ou seja, as suas terminações nervosas, que detetam odores e dizem ao cérebro como interpretar as informações químicas que constituem os cheiros - ficaram danificadas ou curaram incorretamente. Isso significa que os cheiros e sabores ficaram distorcidos para a mulher.
"Toda a comida está com cheiro a podre ou a urina", relata acrescentando ter perdido peso porque não consegue comer adequadamente. "A comida sabe a morte e cheira a urina", acrescenta.A terapeuta ocupacional decidiu então criar um grupo de apoio para pacientes que estejam a sofrer com os mesmos efeitos adversos e relata a sua experiência. "O café tinha um gosto horrível e limpar os meus dentes com pasta de dente era como escová-los com gasolina, era horrível", começa por explicar. "No início, tudo cheirava basicamente o mesmo, então o café tinha o mesmo cheiro de alguém a fumar ou de um carro, alho e cebola cheiram horrivelmente, não consigo nem descrever, e como estão em todas as receitas ou refeições prontas, cozinhar tornou-se um desafio", acrescenta.
O quotidiano tornou-se desafiante para Sarah: "Se eu entrasse em casa de alguém e estivessem a cozinhar, eu sentia o cheiro de uma mistura de cão molhado e água rançosa - tudo tresandava a mofo".Sarah afirma que as suas colegas do Hospital William Harvey testaram positivo em abril, mas como não tinha os sintomas clássicos de tosse e febre alta não foi testada. Em maio, voltou para casa totalmente exausta e com dores de garganta. Decidiu não ir trabalhar e marcou teste no dia 2 de maio.Na tarde de dia 2, após o teste, Sarah perdeu o paladar e olfato. "Eu estava a cozinhar caril e num minuto pude sentir o cheiro, mas quando fui prová-lo não consegui sentir nada", relata."Corri escada acima e borrifei um pouco de perfume no pulso, mas não consegui sentir o cheiro de nada e foi quando eu soube que o tinha, então comecei a chorar", acrescenta. O teste positivo chegou dias depois e a ausência de paladar e olfato perdurou por cinco ou seis semanas.Quando esses sentidos voltaram, Sarah afirma que tudo lhe sabia e cheirava de forma estranha. A carne sabia a sabonete e os cheiros eram todos fétidos.
"Comprar comida tornou-se um pesadelo porque eu não tinha motivação para cozinhar", lamenta.
A britânica ainda não consegue comer queijo e peixe, bem como a sua comida favorita: abacate com camarão.
O grupo de apoio criado por Sarah conta já com 4 mil membros que relatam sintomas semelhantes aos da terapeuta ocupacional.
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