page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Abramovich deixou aos filhos quatro mil milhões de euros antes da guerra

Entre os bens estariam propriedades de luxo e uma frota de superiates, helicópteros e aviões particulares.

06 de janeiro de 2023 às 17:33

O oligarca russo Roman Abramovich deixou quase quatro mil milhões de euros em fideicomisso aos seus filhos no início de fevereiro de 2022, três semanas antes do início da invasão russa à Ucrânia, escreve esta sexta-feira o diário britânico The Guardian.

Em Direito, o fideicomisso é uma disposição testamentária pela qual algum herdeiro ou legatário é encarregado de conservar e transmitir, por morte, a herança ou legado a um terceiro.

Segundo o diário britânico, embora os especialistas em sanções tenham apontado que esses processos não são ilegais, admitem que a densa teia de negócios financeiros do oligarca complicam, se necessário, a imposição de novas sanções.

Abramovich contesta as sanções contra ele impostas pelo Reino Unido e pela União Europeia (UE) pelos vínculos ao Kremlin. 

Segundo fontes citadas pela Bloomberg, os Estados Unidos ainda não sancionaram o magnata, que ainda procurou posicionar-se como um suposto "mediador não oficial" nas negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, embora altos funcionários considerem que tal constituiu um "ardil" pelo que pediram que Abramovich fosse repreendido.

Entre os bens estariam, por exemplo, propriedades de luxo e uma frota de superiates, helicópteros e aviões particulares, que esta sexta-feira têm como beneficiários os sete filhos de Abramovich, sendo que o mais novo tem nove anos.

Os arquivos, de acordo com o jornal britânico, parecem ter sido obtidos através de um roubo de dados de um provedor de serviços 'offshore' com sede em Chipre, que administra os fundos de Abramovich. 

O jornal acrescenta que recebeu os documentos anonimamente.

O The Guardian consultou um ex-alto funcionário dos Estados Unidos, especialista na aplicação de sanções, que reconheceu que, com esta operação, Abramovich conseguiu distanciar-se, com êxito, de quaisquer sanções adicionais para congelar os seus ativos.

"Por si só, já é difícil determinar a titularidade de um bem pela forma labiríntica com que aparecem sob sociedades fictícias e fideicomisso. Se se juntarem camadas adicionais de abstração quando se trata de designar quem é o responsável final desse bem, a aplicação de sanções pode tornar-se um exercício muito complicado", afirmou a fonte do The Guardian.

Nem Abramovich nem os filhos comentaram o assunto ao jornal britânico.

A ofensiva militar russa foi lançada a 24 de fevereiro do ano passado para, segundo Putin, "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia.

A invasão foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.919 civis mortos e 11.075 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8