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Trump ameaça adiar cimeira com Xi Jinping se China não colaborar no estreito de Ormuz

Embora a China seja a maior consumidora de petróleo que transita pelo estreito, também possui vastas reservas para ajudar a lidar com eventuais interrupções.

16 de março de 2026 às 15:09

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou, esta segunda-feira, adiar a cimeira com Xi Jinping, Presidente da República Popular da China, se Pequim não ajudar a garantir a segurança do estreito de Ormuz enquanto a guerra entre EUA e Israel contra o Irão prejudica o fornecimento de petróleo e desestabiliza as relações entre as maiores economias do mundo. 

Em entrevista ao Financial Times, citado pelo The Japan Times, Trump enfatizou a dependência da China em relação ao petróleo do Médio Oriente, reiterando o seu pedido para que Pequim ajude a desbloquear a via navegável. Um dia antes, o líder republicano tinha apelado à China para que se unisse a um esforço conjunto para enviar navios ao estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do fornecimento mundial de petróleo. 

"É mais do que apropriado que as pessoas que beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de mau acontece alí", afirmou Trump no passado domingo, em entrevista. A sua viagem a Pequim, prevista para o final deste mês, seria demasiado tarde, acrescentou, ressaltando a crescente urgência em conter o controlo do estreito por parte do Irão.

Embora a China não tenha dado nenhuma resposta oficial ao pedido, o jornal estatal Global Times descartou a ideia, considerando que terá sido uma tentativa de Trump de espalhar o risco "de uma guerra que Washington começou e não pode terminar".

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que ambos os lados estão em comunicações sobre a visita de Trump.

"A diplomacia do chefe de Estado desempenha um papel insubstituível ao fornecer orientação estratégica às relações China-EUA", disse Lin Jian, porta-voz do ministério, quando questionado sobre as declarações de Trump durante uma conferência de imprensa.

Os chefes de comércio da China e dos EUA estão reunidos em Paris para preparar o terreno para a cimeira Trump-Xi, com as negociações programadas para serem retomadas na segunda-feira.

As autoridades do governo Trump também afirmaram estar em contacto com aliados, incluindo o Reino Unido, a Coreia do Sul e o Japão, para garantir a segurança do estreito de Ormuz, embora até o momento a maioria dos países tenha demonstrado cautela quanto ao envio de recursos para uma zona de guerra ativa, explica o The Japan Times. 

Até o momento, as autoridades chinesas condenaram a guerra de Trump contra o Irão, um aliado diplomático de Pequim, e dificilmente enviarão navios, em parte porque algumas embarcações com destino à China ainda aparentam estar a conseguir passar. Embora a China seja a maior consumidora de petróleo que transita pelo estreito, também possui vastas reservas para ajudar a lidar com eventuais interrupções.

Trump tem um histórico de ameaçar cancelar acordos nas fases finais de negociação, uma tática que usa para obter vantagem. O presidente norte-americano fez uma ameaça semelhante semanas antes de um encontro planeado com Xi Jinping em outubro.

Um adiamento da cimeira poderia ser conveniente para Pequim, uma vez que permitiria mais discussões sobre questões de segurança e diplomáticas, incluindo Taiwan, que até agora não foi analisado com destaque no planeamento.

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