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Ano de 2020 na Guiné-Bissau começou com tensão política e acabou com diálogo

Ano era esperado como sendo o da estabilidade política, após a ronda de eleições legislativas e presidenciais, de 2019.
Lusa 25 de Dezembro de 2020 às 10:42
Guiné-Bissau
Guiné-Bissau FOTO: Getty Images
O ano de 2020 na Guiné-Bissau começou com a tensão política a aumentar entre vários intervenientes e acabou em diálogo, depois de as autoridades terem aparentemente dominado a pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Na Guiné-Bissau, o ano de 2020 era esperado como sendo o da estabilidade política, após a ronda de eleições legislativas e presidenciais, de 2019.

Mas, no dia 01 de janeiro, o líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, candidato à segunda volta das eleições presidenciais deu o mote ao não aceitar os resultados eleitorais, divulgados naquele dia, que deram a vitória a Umaro Sissoco Embaló, alegando fraude e recorrendo ao Supremo Tribunal de Justiça.

As decisões pouco claras do Supremo Tribunal de Justiça e o braço de ferro com a Comissão Nacional de Eleições precipitam a tomada de posse de Umaro Sissoco Embaló como chefe de Estado, enquanto decorria o recurso de contencioso eleitoral.

Um dia depois de ter tomado posse, Umaro Sissoco Embaló, demite o Governo do PAIGC, que venceu as legislativas de 2019 sem maioria, mas que forma Governo com uma coligação parlamentar.

A seguir, o Presidente nomeia um outro Governo formado pelos partidos e movimentos que apoiaram a sua candidatura, que conseguiu garantir a maioria no parlamento com o apoio de cinco deputados do PAIGC.

Em abril, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que tem mediado a crise política na Guiné-Bissau, reconhece Umaro Sissoco Embaló como chefe de Estado e os restantes parceiros internacionais seguem a sua decisão.

O Supremo Tribunal de Justiça toma uma decisão meses mais tarde, sem qualquer impacto.

Pelo caminho, o antigo primeiro-ministro Aristides Gomes refugiou-se na sede da ONU, em Bissau, por razões de segurança onde permanece até hoje e o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, viaja para Portugal, onde ainda se encontra.

O Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau, Fernando Gomes, emitiu sexta-feira um mandado de captura internacional contra Domingos Simões Pereira no âmbito de um processo-crime, sem avançar mais pormenores.

O Presidente admitiu há 15 dias dissolver o parlamento, mas depois de diálogo com os partidos, de ouvir o Conselho de Estado e reunir-se com os líderes das bancadas parlamentares, decidiu pôr a ideia de lado.

Já as catastróficas previsões para África da Organização Mundial de Saúde por causa da pandemia provocada pelo novo coronavírus não tiveram impacto na Guiné-Bissau, onde a situação parece estar aparentemente controlada.

Apesar de o nível de testagem não ser elevado, pouco mais de 1.000 pessoas por semana e a maior parte das quais para realizar viagens aéreas, os novos casos de covid-19 no país têm vindo a diminuir há vários meses.

A Guiné-Bissau regista pouco mais de 2.400 casos acumulados positivos de covid-19 e 45 vítimas mortais.

A semana passada, existiam 10 casos ativos no país.

A nível económico, o impacto da pandemia afetou não só a campanha de comercialização de caju, principal produto de exportação e do qual depende direta e indiretamente 80% dos guineenses, como o setor do turismo, restauração, entre outros.

O Governo, através do ministro das Finanças, já admitiu uma quebra acentuada nas receitas internas e as previsões de crescimento económico são de -2,9% em 2020.

A Guiné-Bissau termina o ano sem crescimento económico, sem melhoria das condições de vida dos guineenses, mas com os dirigentes do país a aparentemente conseguirem dialogar pela estabilidade e desenvolvimento.

O ano fica também marcado pelo fim da missão política das Nações Unidas no país.

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