"Eu sempre tive o interesse de ajudar as nossas comunidades que estão agora a chegar", disse João Corga.
Emigrado para os Estados Unidos por amor, o português João Corga trabalha como defensor público de outros emigrantes de língua portuguesa que sobrevivem aos casos que acabam em desamor e em violência doméstica.
João Corga sempre teve interesse em ajudar outros. Antigo oficial de justiça do Ministério Público em Portugal, emigrou há quatro anos para os Estados Unidos da América e há dois anos e meio tornou-se 'advocate', defensor e assistente para vítimas de violência doméstica na organização luso-americana de serviços sociais para todas as pessoas originárias de países de língua portuguesa, a Massachusetts Alliance of Portuguese Speakers (MAPS).
"Eu sempre tive o interesse, como sou um imigrante recente, de ajudar as nossas comunidades que estão agora a chegar, seja do Brasil, Cabo Verde e até de Portugal", disse à agência Lusa em Boston.
João Corga falou à Lusa no mês da prevenção da violência doméstica, simbolizado pela cor roxa, uma iniciativa de nível nacional nos Estados Unidos.
"Sempre tive esta ideia da consciência social", acrescentou, com um desejo de ajudar que se tornou mais evidente "nestes tempos muito complicados de ser imigrante", durante a pandemia de covid-19, que fechou fronteiras e deitou abaixo muitas fontes de rendimento.
Antes de sair do Ministério Público português, onde trabalhava, João Corga teve cinco anos de experiência em lidar com vítimas de abuso e violência sexual, focado na acusação aos agressores.
Agora na MAPS, Corga faz um trabalho mais próximo de assistente social e ajuda as vítimas a fazer o contacto com a polícia e com tribunais.
"Apesar do sistema judicial americano ser um bocadinho diferente", os tribunais funcionam de maneira semelhante em todo o mundo, considerou.
A privacidade e confidencialidade são uma máxima de trabalho para o português, juntando vítimas de violência doméstica às redes da polícia e tribunais na área do Estado de Massachusetts, onde a organização para a qual trabalha, MAPS, tem seis escritórios.
Natural do Porto, João Corga emigrou para os Estados Unidos para se casar com o "primeiro grande amor" da sua vida, uma luso-americana que conheceu em Portugal.
"É uma história de amor", diz João Corga. "A Jéssica foi o primeiro grande amor da minha vida e o último também", sorri o portuense.
Os dois tiveram um relacionamento à distância durante vários anos, com visitas um do outro a Portugal e aos EUA, até ao casamento, em 2017, quando João decidiu mudar-se para o outro lado do Atlântico.
"Eu falo em português, ela responde em inglês, o que é muito engraçado", conta.
O visto necessário para residir nos Estados Unidos como cônjuge de uma cidadã norte-americana demorou cerca de um ano a chegar e por esse motivo, João Corga não podia ter um emprego, que "foi bom" nessa fase da sua vida.
"Eu fui 20 anos oficial de justiça, trabalhei imenso, com uma pressão de trabalho fortíssima. Então fez-me bem descansar um ano", explicou.
Para assinalar o mês de consciencialização sobre violência doméstica, João Corga junta o útil ao agradável e dá aulas de ténis aos clientes da MAPS, que é como que uma agência de serviços sociais e proteção para qualquer pessoa em necessidade, numa ampla rede de outras agências e instituições de saúde, direito, proteção legal, ou de abrigo dos Estados Unidos.
A atividade desportiva que João Corga promove na cidade de Lowell destina-se a "trabalhar um bocadinho com o 'self-care', tentar passar formas de cuidarem de si, da importância que é o exercício físico e ao mesmo tempo desviar um pouco a cabeça para coisas mais positivas", sublinha o 'advocate'.
Uma organização de 51 anos, a MAPS faz um trabalho importante nas comunidades de língua portuguesa nos Estados Unidos, com programas de prevenção, testagem e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis, saúde mental, apoio à imigração nos EUA, apoios à terceira idade, ou de acompanhamento e proteção de sobreviventes de violência doméstica ou abuso sexual.
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