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Correio da Manhã

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ANUNCIADO NASCIMENTO DO PRIMEIRO BEBÉ CLONADO

A questão da clonagem humana voltou à ribalta com o anúncio do nascimento do primeiro bebé clonado feito ontem na Florida por Brigitte Boisselier, directora científica da empresa Clonaid, fundada pelo controverso Movimento Raeliano.
28 de Dezembro de 2002 às 00:00
Numa conferência de imprensa que deu no estado norte-americano da Florida, Boisselier, que é um membro do movimento reaeliano, pouco mais adiantou além de anunciar o nascimento do bebé clonado. Efectivamente, a directora científica da Clonaid informou que o bebé, criado a partir do ADN extraído da pele da mãe, nasceu na quinta-feira, é saudável, do sexo femino e chama-se Eva. A mãe, de 31 anos, teve de se submeter a uma cesariana e encontra-se bem.

Boisselier escusou-se a adiantar onde teve lugar o nascimento ou qual a técnica de clonagem utilizada. Recusou-se igualmente a dizer se o bebé será alguma apresentado ao público ou se será divulgada uma fotografia. “Prefiro não dizer nada neste momento. A Ciência pode ser usada para o bem e para o mal.

Acredito que a clonagem é para o bem. Espero que quando falarem deste bebé, não se refiram a ele como um monstro (...)” – referiu. Quanto a provas , Brigitte Boisselier afirmou que a Clonaid irá eventualmente permitir que cientistas independentes investiguem as células do bebé para poderem verificar que se trata de um clone.

Mas este não é o único bebé clonado. Segundo aquela cientista francesa, um outro clone vai nascer na próxima semana no Norte da Europa e, pouco tempo depois, serão dadas à luz mais três crianças clonadas. Dois destes bebés que ainda vão nascer foram criados a partir de células preservadas extraídas de crianças que já morreram. Boisselier admitiu que cinco outras tentativas acabaram em interrupções involuntárias de gravidez.

CEPTICISMO

Este anúncio foi recebido com cepticismo e alertas pela comunidade científica internacional. Evgueni Sverdlov, director do Instituto da Genética Molecular da Rússia, prognosticou que a vida da bebé clonada será um verdadeiro pesadelo e que aos 30 anos será já uma velha.

Também os cientistas portugueses condenaram esta iniciativa, com o geneticista Carolino Monteiro, do Instituto de Higiéne e Medicina Tropical, a classificar de ‘criminosa’ a condução de experiências em seres humanos de processos não controlados. Por sua vez, o Professor Catedrático José Rueff, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, afirmou ao CM que este anúncio carece de credibilidade e que, a ser verdade, as pessoas que participaram na experiência ficam marcadas por uma conduta incorrecta, já que o bebé padecerá de várias doenças e de envelhecimento precoce.

DEFENSORES DA CLONAGEM

Quando em 1997 o cientista escocês Ian Wilmut apresentou ao mundo a primeira ovelha clonada, a ‘Dolly’, abriu-se, por assim dizer, a Caixa da Pandora para a Ciência Moderna. Logo surgiram cientistas a defender a clonagem humana para fins terapêuticos, colocando em alerta a comunidade científica e governantes. Foi o caso do cientista italiano Severino Antinori, conhecido por ter ajudado uma mulher de 62 anos a ter um filho, e do seu associado Panos Zavos.
Antinori, que chegou mesmo a anunciar que uma das suas pacientes daria à luz um bebé clonado em Janeiro, manifestou dúvidas em relação ao bebé clonado anunciado pela Clonaid. “Um anúncio deste tipo que não é corroborado por cientistas corre o risco de criar confusão” – diz Antinori, que defende a clonagem para cobater a esterilidade.
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