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Arma do massacre do Realengo custou 110 euros

Uma das duas armas que o já conhecido como assassino do Realengo usou para matar 12 alunos e ferir outros 13 numa escola do Rio de Janeiro na passada quinta-feira foi comprada no mercado negro por 110 euros. Os dois homens que intermediaram a compra já foram detidos e a polícia pediu à justiça a decretação da prisão preventiva deles.

10 de abril de 2011 às 02:00

O chaveiro Charleston Sousa Lacerda, de 38 anos, vizinho de Wellington Menezes Oliveira, o homem que invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, onde estudara, e disparou mais de 60 vezes com duas armas, foi a quem o assassino encomendou a arma, alegando que era para defesa pessoal. Charleston falou com um amigo, o desempregado Isaías de Sousa, de 48 anos, e conseguiram um revólver calibre 32 para Wellington.

Apesar de terem recebido 110 euros pela arma, que estava desaparecida desde que fora roubada há 15 anos na zona rural, eles ficaram com muito pouco desse dinheiro. Depois de pagarem ao verdadeiro dono da arma, os dois homens que intermediaram o negócio e agora vão ter que responder na justiça, ficaram com apenas 13 euros cada um. Wellington usou no massacre também uma outra arma, mais poderosa, um revólver calibre 38, que tinha a numeração de série raspada, o que dificulta o seu rastreamento.

Ontem, ao serem apresentados à imprensa, Charleston e Isaías declararam-se arrependidos de terem vendido a arma a Wellington. Isaías afirmou a jornalistas que se sente culpado em parte pelo massacre, pois forneceu uma das armas ao criminoso, e que chorou muito ao ver a notícia na televisão, pois tem uma filha e uma enteada com idades próximas às das alunas que morreram.

Charlestone e Isaías foram descobertos quase por acaso, quando um informante da polícia ouviu um deles dizer ao outro “viste como a arma que a gente vendeu estava afiadinha?”. O informante achou muita coincidência essa conversa poucas horas depois da matança, alertou a polícia e agentes à paisana começaram a investigar.

No início, os dois homens negaram qualquer envolvimento no assunto, mas depois entraram em contradição e acabaram por confessar. Pela venda da arma, se não forem considerados cúmplices pelas mortes, eles poderão ser condenados a oito anos de cadeia.

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