Azar Mansouri tinha sido detida no seguimento dos protestos antigovernamentais que abalaram o país.
As autoridades iranianas libertaram esta sexta-feira sob fiança Azar Mansouri, líder da principal coligação reformista do Irão, que tinha sido detida no seguimento dos protestos antigovernamentais que abalaram o país, noticiaram os meios de comunicação locais.
" Azar Mansouri foi libertada da prisão há poucos minutos, depois de ter pago a caução", informou o seu advogado, Hojjat Kermani, à agência de notícias ISNA, menos de uma semana após a detenção da líder da Frente Reformista.
A libertação foi também confirmada pela coligação de partidos moderados que procura a abertura do país sujeito a um regime teocrático há mais de quatro décadas.
Horas antes, o grupo político anunciou também a libertação sob fiança do seu porta-voz, Javad Emam, e do ex-vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Ebrahim Asgarzadeh.
Os três políticos foram detidos entre domingo e segunda-feira no âmbito da violenta repressão aos protestos antigovernamentais que agitaram o Irão ao longo do mês de janeiro e que provocou milhares de mortos.
Além da detenção de políticos, vários ativistas foram detidos nos últimos dias, entre os quais o argumentista Mehdi Mahmoudian, nomeado para um Óscar pelo filme “Foi Só Um Acidente”, realizado pelo também iraniano Jafar Panahi e exibido em Portugal.
Também a ativista e vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, foi condenada no sábado a sete anos adicionais de prisão, a décima condenação que lhe foi proferida desde 2021, apesar do seu débil estado de saúde, segundo os seus apoiantes.
A nova vaga de protestos foi iniciada em 28 de dezembro em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda nacional, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a centenas de cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas endureceram depois a sua posição e lançaram uma violenta repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel.
As autoridades iranianas reconheceram 3.117 mortos, na maioria manifestantes, número porém contestado por várias organizações de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.
No seguimento da revolta popular, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou atacar o Irão, enquanto enviava uma frota naval para a região.
Posteriormente, exigiu um acordo sobre o programa nuclear do Irão, que aceitou reatar o diálogo com Washington, num primeiro encontro das duas partes realizado na sexta-feira passada em Omã.
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