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Correio da Manhã

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Banho de sangue anunciado na net

Uma mensagem anónima publicada há uma semana na internet, na rede social Orkut, anunciava o massacre que ocorreu quinta-feira de manhã na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, onde 12 adolescentes foram mortos por Wellington Menezes Oliveira, um ex-aluno de 23 anos que depois se suicidou.
9 de Abril de 2011 às 00:30
Milhares na despedida de Luíza Silveira, Larissa Silva, Mariana Rocha, Larissa Santos e Karine Oliveira, cinco das 12 vítimas
Milhares na despedida de Luíza Silveira, Larissa Silva, Mariana Rocha, Larissa Santos e Karine Oliveira, cinco das 12 vítimas FOTO: Ricardo Moraes/reuters

O autor da mensagem, supõe-se que o próprio Wellington, dava a entender que a matança era vingança por ter sido vítima de bullying quando lá estudava.

"Nem estou chorando, apenas me preparando para uma chacina que irei fazer no colégio em que fui agredido. Em breve teremos um documentário estilo Columbine [escola nos EUA onde houve um massacre similar] nas telinhas nacionais. Aguardem", lê-se na mensagem, colocada numa comunidade intitulada ‘No Escuro’, que incita as pessoas a contarem os seus medos e fraquezas.

Antigos alunos confirmaram entretanto que, durante os quatro anos em que estudou na escola Tasso da Silveira, Wellington era ridicularizado e hostilizado devido à dificuldade em aprender, ao seu jeito calado e a uma deficiência que o fazia coxear. A um dos irmãos adoptivos, Wellington nunca afirmou querer vingar-se da escola, mas declarou que gostaria de derrubar um avião, como nos atentados de 11 de Setembro.

Antes do massacre, Wellington tentou apagar as pistas. A polícia encontrou no seu apartamento o computador queimado. Deixou apenas uma carta, proibindo "fornicadores, adúlteros e outros impuros" de tocarem no seu cadáver sem luvas. Assume-se virgem e ensina preceitos muçulmanos a respeitar no seu funeral, mas pede perdão a Jesus Cristo pelo que fez.

Ontem, as vítimas começaram a ser sepultadas. Durante as cerimónias, a polícia lançou pétalas de rosa. Vários familiares precisaram de receber assistência médica.

SARGENTO EVITOU TRAGÉDIA MAIOS

O massacre teria sido bem maior não fosse o sargento Márcio Alves, de 38 anos, há 18 na Polícia de Trânsito. Alertado por um aluno, correu para a escola e encontrou o assassino a sair da sala onde tinha feito a matança e a tentar chegar ao andar superior, para onde tinham fugido vários alunos.

O assassino disparou, o sargento reagiu e baleou-o no abdómen. Depois de ferido, Wellington suicidou--se com um tiro na cabeça.

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