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Bar suíço onde morreram 40 pessoas estava sem inspeção há cinco anos

Presidente da câmara de Crans-Montana reconheceu não existir uma explicação clara para a ausência prolongada de inspeções.

06 de janeiro de 2026 às 10:32

As autoridades confirmaram que o bar Le Constellation, localizado em Crans-Montana, na Suíça, não foi sujeito a qualquer inspeção de segurança ao longo dos últimos cinco anos, uma falha que veio a público na sequência do incêndio devastador que causou 40 mortos e mais de uma centena de feridos.

Em conferência de imprensa, citada pela BBC, o presidente da câmara de Crans-Montana, Nicolas Feraud, reconheceu não existir, para já, uma explicação clara para a ausência prolongada de inspeções. O autarca manifestou pesar pelo sucedido e admitiu que a câmara municipal terá de assumir responsabilidades, acrescentando que a situação já foi comunicada ao Governo.

Apesar da gravidade do caso, Nicolas Feraud afastou a possibilidade de se demitir. “Não me vou demitir, não, e não quero”, afirmou, sublinhando que a sua equipa foi democraticamente eleita e que considera essencial manter-se em funções para apoiar a população local num momento particularmente difícil.

As investigações preliminares apontam para que o incêndio tenha sido provocado por faíscas decorativas colocadas demasiado perto do teto do estabelecimento. Face a esta conclusão, as autoridades locais anunciaram a proibição imediata de todos os tipos de faíscas decorativas em espaços de diversão noturna da região, numa tentativa de prevenir novos acidentes semelhantes.

O edifício que acolhia o bar Le Constellation foi construído em 1977 e sofreu uma ampliação em 2015, altura em que foi acrescentada uma esplanada exterior coberta. As inspeções realizadas nessa fase incidiram exclusivamente sobre a nova zona exterior, não tendo sido avaliadas eventuais alterações no interior do edifício, o que agora levanta questões sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização existentes.

Segundo o presidente da câmara, as revisões anuais habitualmente centram-se na avaliação de riscos de incêndio em áreas como cozinhas e na verificação de equipamentos de segurança. Contudo, a legislação em vigor não prevê a análise dos materiais de insonorização aplicados nos tetos, um aspeto que poderá ter contribuído para a rápida propagação do fogo.

A autarquia garantiu estar a colaborar com a gerência do bar para apurar com rigor o que aconteceu, assegurando total transparência no processo. A determinação de eventuais responsabilidades criminais ou administrativas caberá às autoridades competentes. Paralelamente, foi ordenada uma auditoria a todos os estabelecimentos da zona e anunciado o reforço das inspeções de segurança, numa tentativa de restaurar a confiança pública e evitar novas tragédias.

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