Marcha pela união entre a Catalunha e Espanha. Polícia municipal só contabiliza 250 mil participantes.
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A plataforma Societade Civil Catalã (SCC) estima que 950 mil pessoas estão a manifestar-se desde a manhã deste domingo em Barcelona contra a independência da Catalunha e a favor da unidade de Espanha.
Um número bem diferente do contabilizado pela polícia municipal, que diz estarem nas ruas de Barcelona 350 mil pessoas.
Seja como for, certo é que muitos milhares de pessoas manifestaram-se entre a Plaza Urquinaona e a estação ferroviária Francia, na capital catalã, empunhando bandeiras espanholas, catalãs e europeias, sob o lema "Vamos recuperar o bom senso".
A manifestação, que contou com a presença de políticos do Partido Popular, do Partido Cidadãos e do Partido Socialista Catalão PSC, realizou-se dois dias antes de o presidente da Generalitat (governo autónomo catalão), Carles Puigdemont, ir ao parlamento catalão para apresentar com uma declaração de independência.
Entre as muitas bandeiras espanholas, 'senyeres' (bandeira da Catalunha) e algumas europeias, a marcha começou lentamente pelas 12h00 locais (11:00 de Lisboa) gritando palavras de ordem como "Puigdemont para a prisão", "Eu sou espanhol" ou "Viva Espanha, viva a Catalunha e viva a Guardia Civil "e, ao passar pela sede da Polícia na Via Laietana, aplaudiu e gritou: "Vocês não estão sozinhos".
A manifestação estava marcada para o meio-dia (11h00 de Lisboa), mas, pelas 11h00, já eram muitas as pessoas que se alinhavam nas ruas com bandeiras de Espanha e da Catalunha lado a lado.
Em Paris, uma centena de pessoas manifestou-se para defender a unidade de Espanha, com bandeiras nacionais e para transmitir que os espanhóis "não estão sozinhos" e a sua mensagem é escutada no estrangeiro
A marcha convocada pela Sociedade Civil Catalã- uma associação política que defende a permanência da Catalunha no reino de Espanha - contará com a presença do prémio Nobel da Literatura Mario Vargas Llosa, de nacionalidades peruana e espanhola, que já classificou o independentismo catalão como "uma doença" que poderia transformar a região "numa nova Bósnia". É também esperada a presença de destacados dirigentes nacionais dos principais partidos espanhóis.
As tensões entre Madrid e Barcelona mergulharam a Espanha na sua mais grave crise política desde o regresso à democracia, em 1977.
A crise está a dividir a Catalunha, onde vivem 16% dos espanhóis e onde, segundo as sondagens, metade da população não é independentista.
Madrid afasta, por seu lado, qualquer hipótese de mediação, argumentando o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, que "para dialogar, é preciso agir dentro da legalidade".
A justiça espanhola considerou ilegal o referendo pela independência convocado para 1 de outubro pelo governo regional catalão e deu ordem para que os Mossos d'Esquadra, a polícia regional, selassem os locais onde se previa a instalação de assembleias de voto.
Perante a inação da polícia catalã em alguns locais, foram chamadas a Guardia Civil e a Polícia Nacional espanhola, polícias de âmbito nacional que protagonizaram os maiores momentos de tensão para tentar impedir o referendo, realizando cargas policiais sobre os eleitores e forçando a entrada em várias assembleias de voto ocupadas de véspera por pais, alunos e residentes, para garantir que permaneceriam abertas.
A violência policial fez 893 feridos mas, apesar da repressão, 43,03% dos 5,3 milhões de eleitores conseguiram votar (ou seja, 2,286 milhões), e 90,18% deles votaram a favor da independência (2,044 milhões), segundo o governo regional da Catalunha (Generalitat).
Uma vez proclamados os resultados oficiais do escrutínio -- o que aconteceu na sexta-feira -, a chamada Lei do Referendo, que o parlamento catalão aprovou a 6 de setembro e que foi suspensa pelo Tribunal Constitucional espanhol, estipula que a Declaração Unilateral de Independência (DUI) seja emitida num prazo de 48 horas.
Como o fim de semana não é contabilizado para esse efeito, o prazo estender-se-á até terça-feira, 10 de outubro, tendo a Mesa do Parlamento Regional, que é o seu órgão dirigente, marcado para esse dia, às 16h00, uma comparência no plenário do presidente catalão, Carles Puigdemont.
No papel, a presença do dirigente catalão será apenas para "informar da situação política atual", não havendo qualquer referência à Lei do Referendo suspensa pelo Constitucional, nem a uma eventual Declaração Unilateral de Independência.
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