Isolamento da região fez com que naufrágio do barco "Cidade de Caraauri" só fosse conhecido muitas horas após acidente.
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Pelo menos cinco pessoas continuam desaparecidas esta sexta-feira depois do barco em que navegavam pelo Rio Juruá, no estado brasileiro do Amazonas, ter naufragado na noite de quarta-feira nas proximidades do município de Caraauri, no coração da floresta amazónica.
O naufrágio do barco "Cidade de Caraauri", que transportava oficialmente 97 pessoas, só foi conhecido muitas horas depois, já na quinta-feira, dado o isolamento da região, e o socorro enviado da capital estadual, Manaus, a 788 quilómetros pelo rio, também demorou, pois só se chega de barco depois de mais de 12 horas de navegação em velocidade máxima.
Bruno Carvalho, o autarca de Caraauri, afirmou esta sexta-feira que entre os cinco desaparecidos estão uma mulher com os seus dois filhos, uma criança de dois e outra de três anos, uma idosa de 82 e um rapaz de 21.
Pelo relato dos sobreviventes, o autarca acredita que os desaparecidos se tenham afundado com a embarcação, provavelmente por estarem em locais fechados, como casas de banho, e não terem tido tempo de pular na água.
A maioria dos ocupantes da embarcação, no entanto, conseguiu saltar do barco antes de este afundar totalmente, atingir a margem e depois chegar à pequena comunidade ribeirinha de Bacaba, que fica a três horas de barco de Caraauri, e, aparentemente, ninguém sofreu ferimentos graves. Inicialmente os desaparecidos eram seis, mas mais um sobrevivente foi encontrado mais tarde e resgatado por um pescador ainda dentro do rio.
De acordo com as informações iniciais, o barco bateu aparentemente em alguma coisa que estava submersa, provavelmente um grande tronco de árvore ou uma raiz de grandes dimensões, tombou de lado e afundou em escassos segundos.
Nos perigosos rios da Amazónia, como a equipa do Correio da Manhã teve oportunidade de constatar numa viagem há anos atrás, é comum haver troncos de árvores gigantescas boiando no sentido da corrente depois de terem sido cortados por madeireiros clandestinos, cujos cúmplices os recolhem também do rio quilómetros mais adiante e os traficam já transformados em valiosas pranchas de madeira nobre para serem usadas na fabricação de móveis ou utilizadas na construcção.
Na semana passada, uma outra tragédia aconteceu no Rio Juruá, dessa feita no porto da cidade de Cruzeiro do Sul, na fronteira entre os estados do Acre e do Amazonas.
Um outro barco, que além de passageiros levava carga e muitos bidões de combustível para abastecer cidades isoladas da região, explodiu ao reabastecer de forma considerada ilegal e inadequada pelos bombeiros, provocando queimaduras em até 90% do corpo em ao menos 18 pessoas, até hoje internadas em estado crítico ou grave em hospitais de várias regiões do Brasil para onde foram transferidas após receberem os primeiros atendimentos em hospitais locais.
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